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Fonte anônima em tempos de "fake news"

00:00 | 16/09/2018

 

É muito comum encontrar em matérias e textos de colunas informações baseadas em "fontes que não quiseram se identificar". A relação entre o jornalista e suas fontes é sempre de confiança e sempre leva um tempo para se solidificar. Não se constrói uma relação com uma fonte tão facilmente. Os jornalistas mais experientes sabem que isso exige informações exclusivas, verídicas e interessantes. Em tempos de disseminação de notícias falsas, como o leitor pode acreditar em algo que é identificado por uma fonte anônima? Afinal, que interesse tem uma fonte ao não querer ser identificada?No meio político, isso é comum - o que não quer dizer que não ocorra nos demais segmentos. Sempre há um interesse por trás da divulgação de um dado. O jornalista deve ter o discernimento para perceber até que ponto a informação é, de fato, interessante e relevante, ou se se trata tão somente de parte de algum conchavo.Na semana que passou, ao ler no O POVO uma informação a partir de "uma fonte ouvida pela reportagem", um leitor questionou: "Em tempos de fake news generalizadas, você julga ainda ser possível existirem notícias nesses termos, já que exigem uma confiança cega no jornal? Quem tem o poder de garantir que não é fake news? Não seria melhor acabar com todo tipo de anonimato? Nesta época em que vivemos, não é recomendável crer cegamente em quem quer que seja".Dias antes, um colunista do O POVO anotava após determinada citação: "diz um deputado, que não quis ser identificado".

 

Sigilo  

 

Sobre a indicação, recebi o seguinte comentário: "Já não estaríamos na época em que já não se pode esconder a origem das notícias? Uma época em que recorrer ao sigilo da fonte poderia ser para permitir um artifício para produzir fake news?".Sigilo da fonte, a propósito, é uma garantia que o jornalista dá a quem lhe fornece alguma informação. É uma espécie de proteção para que mais informações possam ser dadas. É certo que, em alguns casos, o anonimato existe para preservar a integridade física da fonte. Como em situações de entrevista com pessoas que vivam sob algum risco ou conversa com moradores que habitem em áreas de risco que só aceitem falar com os repórteres se não tiverem seus nomes divulgados. Aí, o sigilo deve ser mantido. E isso é responsabilidade indiscutível do jornalismo.Nos casos das notas de colunas e demais notícias que circulam em épocas de notícias de falsas e no meio de uma eleição, é um negócio arriscado para a credibilidade.A identificação das fontes das notícias é um direito a que o público tem. Mais do que isso, em muitos casos, é uma garantia de confiabilidade na informação. Quando não se informa, parece haver uma suspeição, como no caso citado acima, questionado pelo leitor.

Por exemplo, por que o deputado pediu para não ser identificado? Por qual motivo ele teria dado determinada informação à coluna e pedido para não ter seu nome citado? Que interesse há nisso? Todo esse contexto gera uma série de questionamentos ao jornalismo.De modo geral, o uso exagerado da fonte anônima pode soar especulativo e sensacionalista. Nenhum veículo quer tais pechas.

Antes de aceitar publicar informações com essas indicações, o jornalista deve questionar se a informação vale tanto assim para que a fonte não seja identificada. E sobretudo, o porquê de se insistir no anonimato.ErramosDe acordo com levantamento do O POVO.Doc, o setor responsável pelo banco de dados do Grupo O POVO, foram publicadas 13 correções no jornal impresso durante o mês de agosto. Foram corrigidas informações como o nome do presidenciável Henrique Meirelles, chamado de Fernando Meirelles em um título de matéria; o nome do cineasta Eusélio Oliveira; a informação de que Tasso Jereissati seria candidato à reeleição no Senado, entre outros dados, inclusive números. Nesta primeira quinzena de setembro, até sexta passada, dia em que entrego este texto, foram publicados três Erramos. É pouco para o tanto que se erra. Mais constrangedor do que errar é assumir a desatenção com o público ao não publicarmos as correções.