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Sem esquecer o básico

2018-07-15 00:00:00

 

Um domingo de embate jurídico foi o que se viveu há uma semana quando uma série de decisões judiciais soltava e mantinha o ex-presidente Lula preso em uma diferença de poucas horas. O assunto chegou logo aos portais de notícias do País todo. No O POVO, as informações eram atualizadas com frequência, inclusive com o selo de “urgente” nas redes sociais.

No entanto, a agilidade era cobrada. “Enquanto O POVO divulga que mandaram soltar Lula, já circula na rede despacho de Moro determinando a manutenção da prisão por considerar o desembargador incompetente. Será fake?”, questionou Paulo Roberto Clementino Queiroz, do Conselho de Leitores do O POVO. Pouco depois, a notícia era publicada na página.

Vladimir Spinelli, também conselheiro de Leitores, percebeu desequilíbrio na abordagem: “Achei a cobertura do caso inexata, levando a uma sensação de tendenciosa”.

Na semana, tentamos explicar a ação, mas algumas informações continuaram sem resposta. Uma das perguntas-chave: afinal, o juiz Sergio Moro teria sido citado a atuar no caso, mesmo de férias? Além de: como afirmar que a ministra Carmen Lúcia não se pronunciou se havia nota à imprensa divulgada por ela? Como os correligionários explicam a situação? Por que a tentativa de liberdade em um plantão? O “fato novo” justificaria a liberdade?

Ouvimos um sem-número de especialistas, falamos em agravar a crise, mas nem as perguntas mais simples foram respondidas ao longo dos dias seguintes. O leitor precisa saber dos desdobramentos do caso, mas, antes, deve entender o que houve e o que está por trás de uma ação cujos questionamentos mais básicos continuam sem resposta.

 

Timing na Copa

Na última semana, a poucos dias do jogo final da Copa do Mundo, que ocorre neste domingo, O POVO anuncia que tem um enviado especial na Rússia. Uma iniciativa interessante e que, certamente, trará um conteúdo diferenciado para os leitores a partir da produção de um “material exclusivo” feito por um funcionário do jornal, em vez de apenas reproduzirmos textos de agências. A ideia foi objeto da matéria “Na terra da Copa (Esportes Especial Copa, 12/7/2018, página 3). O detalhe: a ação ocorre e é anunciada três dias antes do fim do Mundial, que teve início no dia 14 de junho!

 

Sem o Brasil na Copa, o evento não acaba, mas arrefece para os leitores brasileiros. Ter um enviado especial no Mundial é, sem dúvidas, um diferencial relevante em qualquer cobertura. Ter um enviado especial no Mundial no tempo ideal, apto a fazer pautas jornalísticas desde o início do evento, é mais relevante ainda. Apresentar um diferencial na última semana do maior evento mundial de futebol não é, digamos, o tempo ideal. Neste caso, O POVO perde na cronologia.

Mídia e eleições

Participei na sexta-feira, 13, de Ciclo de Debates promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral – Ceará (TRE-CE), por meio da Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (Esmec). A convite do Tribunal, discutimos sobre “Fake News, Mídia e Eleições”, painel moderado pelo juiz titular do TRE-CE Roberto Viana Diniz de Freitas. Em uma profícua discussão, abordamos estratégias de enfrentamento às notícias falsas e a importância da verificação cuidadosa e precisa antes da publicação das informações, principalmente em um período vulnerável à propagação de mentiras, como a fase eleitoral.

Importante que instituições se unam, cada vez mais, no combate à fraude. Se as notícias falsas não podem ser evitadas, sua repercussão nos veículos de comunicação deve ser minimizada. A propósito, não estamos falando de algo novo. Notícias falsas (ou fraudulentas, como prefere o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva) sempre existiram. O que tem acontecido é a intensidade e a repercussão de suas ações e os meios em que elas ocorrem. A prevenção e o enfrentamento devem ocorrer com uma receita simples, aprendida nos anos primeiros do Jornalismo: apuração precisa, verificação minuciosa. As ferramentas têm sido aprimoradas; o método, porém, continua. Não se pode é se deixar intimidar diante do fenômeno. Admitir que o mal existe é o passo inicial para combatê-lo.

 

Daniela Nogueira

 

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