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VERSÃO IMPRESSA

A Opinião e a matéria

00:00 | 06/05/2018

Não são poucas as críticas que a mim chegam, todos os dias, pelos diversos meios, sob a acusação de que o jornal está a favorecer certo partido político, determinada figura pública política ou alguma corrente ideológica. A sugestão de que a imprensa está subserviente ao poderio econômico e sofre pressão diante de diversos interesses, inclusive comerciais, é constante.

Seria ingenuidade afirmar que o jornalismo é isento e que os meios de comunicação atuam de forma totalmente imparcial, sem influências. Nada é isento. Nenhum texto pode ser (e isso é muito mais do que jornalismo). Mas temos de ficar atentos a que tipo de texto está sendo julgado. Na maioria das vezes, há confusão entre um texto de opinião e uma matéria. Jornalista pode – e deve, sim – expor seu ponto de vista, argumentar em favor de suas ideias e defender seu posicionamento em um espaço específico para opiniões. Isso é diferencial, estimula a criticidade e o respeito à pluralidade de ideias. Também, é essa capacidade analítica que tem se notabilizado nos jornais impressos nos dias atuais. As notícias factuais, muitas vezes, já estão nas redes sociais desde o dia anterior, ou seja, já chegam velhas no dia seguinte ao jornal impresso. 

No entanto, os pontos de vista dos jornalistas devem estar bem explícitos e marcados como “opinião” para não haver o risco de serem confundidos com matérias ou reportagens. As colunas, os artigos de opinião e as demais análises ao longo das páginas são exemplos de espaços nos quais os jornalistas podem, sem prejuízo para o entendimento do noticiário, expressarem seus argumentos.

Confusão

O imbróglio se dá, muitas vezes, na mistura entre os textos. O público, em geral, ainda confunde a opinião do jornalista com a matéria sobre o mesmo assunto. “Eu li uma matéria sobre isso no jornal e só defendia um lado, era totalmente tendenciosa”, ouvi de um leitor na semana que passou. Até identificar o assunto, percebi que se tratava de um artigo. Dentro de todos os parâmetros exigidos para a publicação, era a opinião do jornalista. Uma sugestão é promover o debate a partir da escritura de outro artigo, em que se discorde do jornalista.

O leitor não tem obrigação de saber todos os gêneros textuais, como os jornalistas têm. Por isso, os textos precisam estar bem identificados a fim de evitar confusão. Seja artigo, seja matéria, “deu no jornal” ainda é uma chancela significativa.

Resumo das novelas

Um serviço útil para grande parcela dos leitores, o resumo das novelas havia tido sua publicação suspensa no O POVO desde janeiro, quando houve a mais recente mudança gráfico-editorial do jornal. Desde então, foram várias as queixas acerca da ausência do serviço. No domingo passado, a programação voltou a ser publicada. Com periodicidade bem diferente da anterior e em outro suplemento.

A partir de agora, o resumo das novelas passa a ser publicado semanalmente, aos domingos, nos Populares. Antes, com veiculação diária, no caderno de cultura e entretenimento. Por ter um formato menor, talvez seja mais fácil para o leitor manusear o caderno e conferir a programação. É uma aposta, como tem sido o investimento a partir de várias outras informações incluídas no caderno. No entanto, mais uma vez, mexe-se no hábito do público, e isso importa muito.

É preciso lembrar que, com a reforma gráfico-editorial por que o jornal passou (e vem passando constantemente), diversas seções e serviços foram suprimidos, enquanto outros foram acrescentados. Não basta, entretanto, retirar informações do jornal impresso de forma arbitrária. É preciso ouvir o público leitor. O que pode ser irrelevante, aparentemente, talvez faça falta para o leitor cotidiano do jornal de papel. Programação do cinema, tábua de marés, fases da lua e resumo das novelas foram informações abolidas do impresso inicialmente com a reforma, há quase quatro meses.

Prova de que o jornalismo é dinâmico e de que o jornal se faz no dia a dia é que todos esses dados voltaram às páginas, porque o leitor clamou. Porque se fizeram necessidade para um sem-número de pessoas. Afinal, para quem escrevemos?

Por Daniela Nogueira