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VERSÃO IMPRESSA

Pró e contra Lula

00:00 | 15/04/2018

 

Daniela Nogueira

 

Sem importar, por ora, o posicionamento político que se tenha, participar da cobertura dos últimos acontecimentos da conjuntura nacional tem sido um exercício de equilíbrio. A propósito, equilíbrio é uma palavra de um discurso que quase tem sido clichê na análise da imprensa, mas que não nos exime de refletir sobre o que temos feito.

Como se escreve, fala e publica para um leitorado diverso, a cobertura dos acontecimentos políticos recentes envolvendo o ex-presidente Lula, histórica sob todos os pontos de vista, é interpretada de muitas maneiras. A capa do O POVO da sexta-feira fim do prazo dado pela Justiça para que Lula se entregasse à Polícia foi vista por alguns leitores como “deboche” e “tripúdio”.

Um deles escreveu: “A mim, quis parecer-me que o jornal está se comprazendo com as agruras judiciais do Lula”. Outra leitora anotou que O POVO já fora mais “elegante” no jornalismo. Ivan Sousa classificou: “Nunca imaginei que veria tanto escárnio no jornal”.

A capa, com fundo escuro e a imagem pálida do ex-presidente a distância, contribuiu para a interpretação dos leitores. A vitrine do jornal é sua primeira página. É a partir daí que muitos decidem folhear as seguintes. É por isso o investimento em tempo para discutir a manchete e o desenho que será feito neste espaço. É certo que tratar de um tema importante como este não requer um colorido ou um aspecto lúdico, mas dedicar um tom obscuro junto aos dizeres “Até as 17 horas” foi um ultimato incômodo.

“Defesa de Lula”

Nos dias seguintes, houve outra leitura – oposta. Dois membros do Conselho de Leitores perceberam uma “defesa de Lula” por parte do jornal. “A maioria dos textos produzidos (pelos jornalistas e por especialistas convidados) fez (consciente ou inconscientemente) uma defesa da tese do Lula, ou seja, perseguição política. Concordo com essa tese, mas acredito que o jornal poderia fazer um esforço maior para diversificar suas linhas de análise. Se continuar assim, poderá ser identificado como publicação da esquerda. Façam um embate! Explorem as polarizações”, analisou o sociólogo Cleyton Monte, pesquisador da área de política.

O conselheiro Vladimir Spinelli anotou: “Lamento dizer, mas o que li no jornal me passou uma tendência muito forte na defesa de Lula. Com todo o respeito para com os que não enxergam corrupção nele, ele desafiou o Judiciário. Desrespeitou. Fiquei triste. Esperava mais isenção”.

O jornalista Guálter George, editor de Política, analisa que O POVO está atuando “com o equilíbrio necessário, sem tender para uma ou outra posição, mas sem abrir mão de análises e críticas sempre que a situação comportar”. De acordo com Guálter, tem havido êxito na maioria das edições, embora reconheça certos equívocos de avaliação.

Para ele, análises, pontos de vista e outros elementos de opinião agregam valor ao noticiário e ajudam o leitor a entender melhor os fatos. “Linha mantida nos dias até que se deu a prisão de Lula, em meio à tensão de acompanhamento dos fatos quase hora a hora. Há erros a reconhecer, mas todos eles dentro da linha do aceitável, especialmente quando se coloca em consideração todo o ambiente que há cercado a política nacional das últimas semanas, meses e, até, anos”, analisa o editor de Política.

O POVO tem feito, no geral, uma cobertura prudente e responsável dos últimos acontecimentos do caso Lula. Como o bom jornalismo tem de ser. Isso é perceptível nos textos diretos, na ausência de adjetivação, na escolha das fontes, na cobertura dos eventos pró e contra Lula, no espaço reservado aos assuntos, nas opiniões plurais. No entanto, a escolha lexical de determinados termos, o uso de cores escuras, os erros de informação aqui e acolá, o tamanho das imagens e até a publicação de certas charges (que é um gênero opinativo) são questionados e merecem maior atenção para que não ponham a lisura de um trabalho em suspeição. (O uso do termo “multidão”, por exemplo”, em títulos de eventos contrários e favoráveis ao ex-presidente, é quase sempre polêmico.)

O jornal precisa se lembrar, todos os dias, da responsabilidade que tem ao registrar e analisar esses fatos.

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