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VERSÃO IMPRESSA

Carlos Vereza ataca O POVO

00:00 | 22/04/2018

Neste mês de abril, em que se celebra o Dia do Jornalista e em que se há contado tantos casos de agressão ao profissional, um repórter do O POVO entrou nas estatísticas. Na semana que passou, Renato Abê foi diretamente insultado pelo ator Carlos Vereza durante e após a entrevista concedida, que foi publicada no domingo passado (“Marielle é um cadáver fabricado” – https://bit.ly/2JerQDV).

Incomodado com os questionamentos do repórter Renato Abê, que interpelava sobre política, o ator o interrompe para garantir que ele tem uma “aura petista”, diz que sabe que está “desagradando” a ele com suas respostas e encerra o papo com um “vá se foder, porra”. 

A conversa nada amistosa ocorreu no Cineteatro São Luiz, no Centro, na sexta-feira anterior à apresentação de um espetáculo que Vereza apresentaria na Capital, no domingo. De acordo com o repórter, o ator foi se exaltando à medida que respondia. “Percebi que ele passou a responder de má vontade. Eu fazia as perguntas e ele nem me deixava concluir. Passou a ser brusco, grosseiro”, conta Renato. 

O pior viria depois. Carlos Vereza passou a usar o Facebook para destilar ofensas e agressões ao repórter e ao O POVO. Para citar algumas das indelicadezas: “um escroto de um militante travestido de jornalista”, “patife”, “na próxima ‘entrevista’ não esquece de ir sem batom”, “Cuidado com o  pasquim, O Povo, de Fortaleza. Esquerdista e desonesto” (sic).

Vereza ainda acessou o perfil do repórter no Facebook para proferir xingamentos e agressões verbais contra ele.

 

Reação

As respostas às agressões de Vereza estão na Nota Pública que O POVO publicou na sexta-feira passada (veja no link: https://bit.ly/2JbD0Jj). A propósito, desde o começo dessa série de violências, o jornal estava acompanhando o caso com o repórter, prestando a assistência devida e dando os encaminhamentos necessários – só demoraram demais a publicar a nota. Além do repúdio “com veemência”, O POVO desmente a afirmação de que o jornalista “passou a ‘plantar notas’ em veículos de esquerda para se autopromover”. A entrevista de Vereza foi publicada nas redes sociais do O POVO. A nota lembra que Vereza não questiona um ponto: o conteúdo publicado. “Falou mal do profissional e do que imagina que tenha sido o processo de agendamento e divulgação, mas não pode negar a precisa reprodução do que disse, inclusive com a íntegra no online. Talvez tenha sido exatamente isso que o tenha incomodado.” 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará (Sindjorce) e a Associação Cearense de Imprensa (ACI) se manifestaram, solidarizando-se com o repórter.

A entrevista era o momento de o ator defender seus pensamentos e linhas ideológicas, sejam quais fossem. Confrontado, como o foi, pelo repórter, que argumentasse a favor do que pensa, em contraposição com o que não ache ser correto. Desrespeitar, ofender e agredir verbalmente foi a parte mais rasteira de uma violência contra um profissional que tão somente cumpre o seu papel de levar informação e de contribuir para uma sociedade menos intolerante e mais cidadã. 

Investir na desqualificação de um jornalista no cumprimento de sua atividade, de uma forma vil, atacando inclusive seu perfil pessoal em rede social, com preconceito e intimidação, é uma forma explícita da truculência dos tempos intolerantes em que vivemos – e que não podemos aceitar. 

Tive uma longa conversa com o Renato sobre o caso e questionei como ele se sentia com tudo isso. “Jamais pensei que seria como foi. Acho que agora passou a raiva. Agora eu estou triste”, me disse sereno, mas forte. Renato é um repórter experiente e competente da área cultural, com estudos em Artes Cênicas – Direção Teatral na CAL – Casa das Artes, no RJ. 

Ao nos prepararmos para qualquer entrevista, prevemos diálogos possíveis e traçamos caminhos a serem percorridos na conversa. Ora, nos surpreendemos. Ora, nos frustramos. Mas nunca prevemos violências desse tipo – porque, sob nenhum ângulo, há justificativa para a agressão. Saímos mais fortes.

 

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