PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Sobre três anos

2018-01-07 00:00:00
NULL
NULL

 

Tânia Alves

Foram três anos. Olhando para trás, para os primeiros dias, vejo que aprendi muito, errei um bocado, acertei algumas vezes. Entre acertos e erros na função, sobrevivi. Como é essencial a permanência, nos dias de hoje, da figura do ombudsman. O POVO e Folha de S. Paulo acertam ao insistir em manter o olhar técnico da ouvidoria num cenário em que leitores se mostram cada vez mais independentes para fazer comentários.


Quando escrevi neste espaço pela primeira vez, no dia 8 de janeiro de 2015, falava sobre as turbulências que desafiavam a profissão. Escrevi: “Nunca se debateu tanto o futuro do jornalismo como agora. Nunca se questionou tanto o papel da imprensa, nunca se ouviu falar tanto dos limites do dizer nas notícias publicadas nas várias plataformas de comunicação. Nesses confrontos, atual e constante, está nossa fortaleza”. (Para ler: “Um mundo de muitas mudanças e surpresas”)


Os desafios para a nossa profissão cresceram. Não é mais somente de mudança de plataforma, adaptação a um novo momento de redes sociais, uso de tecnologia. Eles são mais instigantes. É preciso se contrapor à disseminação de notícias falsas na rede. A questão de conteúdo tóxico representa um problema de impacto ainda imensurável. Só para se ter uma ideia, notícias falsas de origem russa alojadas no Facebook, durante a eleição norte-americana que elegeu Donald Trump presidente dos Estados Unidos, em 2016, alcançaram 126 milhões de usuários, o que equivale a um terço da população norte-americana. Vai além: movimentos já trabalham orquestradamente para colocar em xeque o trabalho da imprensa. As informações que chegam, via redes sociais, são fáceis de disseminar. Mesmo quando vêm de procedência duvidosa. Geralmente o usuário, quando encontra uma informação que reforça sua maneira de pensar, compartilha imediatamente. O que era falso passa a ter aspectos de verdadeiro.


Além de fazer notícias, é preciso, agora, ensinar a separar o joio do trigo, mostrando como identificar conteúdo de origem duvidosa. A nossa tarefa passa, também, por manter a credibilidade da profissão. Para isso, o jornalismo deve permanecer na sua essência: apuração com rigor, precisão na escrita, textos claros, ouvir todos os lados para ser fiel aos fatos. A receita do fazer bom jornalismo continua a mesma.


ENALTECER O PASSADO. BOAS-VINDAS AO FUTURO


Sou grata a muita gente por estes três anos. Primeiro, enaltecer os que vieram antes na função. Foram 14 jornalistas que engrandeceram, como ombudsman, a história do O POVO nestes 90 anos que se completam hoje. Adísia Sá iniciou o alicerce, em 1994. Outros ocuparam e foram construindo a função: Márcia Gurgel, Lira Neto, Gibson Antunes, Débora Cronemberger, Regina Ribeiro, Roberto Maciel, Guálter George, Plínio Bortolotti, Paulo Verlaine, Rita Célia Faheina, Paulo Rogério, Erivaldo Carvalho e Daniela Nogueira. Esta última volta a ocupar o cargo com a missão de dar boas-vindas ao futuro, abrindo outras rotas para o bom jornalismo.

[FOTO1]

Devo ainda agradecer aos leitores que confiaram no meu trabalho nesses três anos. Vocês me incentivaram cada vez que ligaram, enviaram mensagens, ocuparam seu tempo para redigir textos de emails. As observações, em grande maioria pertinentes, ajudaram a corrigir rotas, a compreender a necessidade de mudança. Elas foram essenciais para redigir as colunas.


Agradecer ainda a quem teve o trabalho e a paciência de reparar os textos escritos por mim. De início, o jornalista Frederico Fontenele Farias, que sempre passava pela sala, às sextas-feiras, antes do seu trabalho diário na Redação. Depois, a Daniela Nogueira, que fazia a correção e, em muitas ocasiões, me deu dicas essenciais quando via que algo podia ser modificado. Ter vocês por perto, nestes três anos, foi muito gratificante.


ALGUNS NÚMEROS


Durante três anos (2015 a 2017), até o mês de novembro passado foram 141 colunas escritas neste espaço. Durante este período, sempre no fim do mês, publiquei um quadro, elaborado pela Editoria de Arte, sobre a participação dos leitores. A interação com eles cresceu ao longo dos anos.


No fim de 2015, 590 leitores haviam entrado em contato com a ouvidoria para alguma demanda que resultou em retorno. A média foi de 53,63 por mês. No ano seguinte, foram 763 interações também durante 11 meses, média mensal de 69,3. No ano passado, o atendimento ao leitor somou 939 ações em 10 meses, média de 93,9. Em 2017, o mês com maior demanda foi maio, com 121 observações de leitores (ver quadro elaborado pela Editoria de Arte). O crescimento dá ânimo e fôlego para voltar à Redação e continuar o trabalho no jornalismo. Agora de outra forma, mas sempre com desejo de fazer notícia com qualidade.


PARA ACIONAR A OMBUDSMAN


Os leitores das diversas plataformas do O POVO podem entrar em contato com a ouvidoria pelo WhatsApp (85) 988 93 98 07; por email (ombudsman@opovo.com.br) e telefone fixo (3255 6181). O leitor pode ainda visitar a ombudsman se necessário. Basta ligar ou enviar mensagem e agendar.

 

TAGS