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É a economia, sempre a economia...

2018-02-16 01:30:00

A equipe econômica do presidente do Michel Temer tem obtido sucesso no controle dos indicadores de inflação e juros, mas os números não atingem a população na mesma velocidade com a qual se divulgam os índices nos jornais.


A Selic de 6,75%, anunciada na semana passada, e a curva descendente ao longo de 2017, ainda não impactaram na maioria dos financiamentos das compras e dos empréstimos. Esse menor índice, calculado pelo Banco Central desde o início da série instituída em 1986, demora a chegar para quem precisa de dinheiro – diferente do que ocorre para quem faz uma aplicação financeira, cuja atualização da taxa para baixo acontece quase automaticamente.


No site do Banco Central, as taxas de juros do cheque especial ao ano, atualizadas até o dia 30 de janeiro, por exemplo, chegam no Itaú a 320,43%; no Banco do Brasil, 310,59%; na Caixa Econômica, 308,65%; e, no Bradesco, 296,10%. Vale ressaltar que essa é uma das modalidades de empréstimo mais comum no País, em função das facilidades de acesso oferecidas.


Para o financiamento visando À aquisição de bens, os números atingem patamar anual de até 149,86%, dependendo da instituição e do que se esteja comprando. No cartão de crédito parcelado, os juros alcançam índice de até 719,17% ao ano.


Para as empresas também não é muito diferente: o crédito para capital de giro até 365 dias, dependendo do banco, pode ter taxas anuais que atingem 90,61%. Os números do Banco Central não alcançam a última atualização da Selic, mas deveriam refletir mais fortemente a queda dos juros, que caíram de 13% para 7% de janeiro a dezembro de 2017.


O Brasil realmente não é para principiantes, e a população sabe bem disso. Essa deve ser uma das razões para a popularidade baixa do presidente Michel Temer. As boas novas da economia não chegam fácil para quem precisa...


ENDIVIDADOS


DISTÂNCIA DOS EMPRÉSTIMOS


Ontem, na ata publicada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), foram apresentadas informações adicionais sobre possíveis fatores que podem influenciar a política de juros. Um deles é a confiança maior do mercado nos indícios de recuperação da economia. A interpretação é de que as taxas básicas não precisariam mais de uma trajetória de redução. Diante disso, a Selic poderia voltar a um patamar de 7,25% no final do ano, subindo para 8% em março de 2019.


Em um País onde há um exército de endividados, isso representa apenas mais uma comprovação de que é preciso organizar melhor as contas e se afastar dos empréstimos. É necessário ainda lembrar que, pelos cálculos do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 70% dos brasileiros atrasaram alguma conta em 2017.


BNB


RECURSOS PARA A INFRAESTRUTURA


Diante da luta das empresas a fim de conseguir recursos para a infraestrutura, há pelo menos uma boa notícia: o Banco do Nordeste, que possui taxas de juros ajustadas com base no Coeficiente de Desequilíbrio Regional (CDR), já possui uma demanda de R$ 11,8 bilhões em projetos de infraestrutura. Os segmentos de água e saneamento aumentaram a demanda por recursos, além de projetos de financiamento dos aeroportos de Fortaleza e Salvador.


O superintendente de Negócios de Atacado e Governo do Banco, Helton Chagas, explica que parte das taxas é fixa e a outra varia de acordo com a diferença de renda. Com esse trunfo na mão, executivos da instituição estão trabalhando para mostrar os potenciais dos investimentos na região.


CHUVAS


MAIS OFERTA DE PREÇOS


As chuvas do início deste ano repercutem nos preços das frutas e hortaliças. Na Ceasa, o analista econômico da empresa, Odálio Girão, destaca o aumento da oferta de produtos e a redução de preços de frutas, grãos e hortaliças. Só o tomate permanece como vilão da cesta básica, em função do período de entressafra.


PROPOSTA


ROYALTIES DOS VENTOS


O presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, encaminha à coluna esclarecimentos sobre a proposta de royalties cobrados pelo vento que podem não ter ficado claros:


1) A proposta de royalties dos ventos não segue necessariamente “a mesma lógica” dos royalties cobrados pelo setor do petróleo. A natureza jurídica dos royalties do petróleo tem o objetivo de compensar financeiramente as regiões produtoras pela exploração de jazidas de recursos não-renováveis, ao contrário do que está sendo proposto para a geração de energia eólica e solar, que são recursos renováveis.


2) O que está sendo proposto como alternativa à ideia dos royalties é que se mexa apenas na forma de arrecadação do ICMS. A ideia inclui a inversão do beneficiário do ICMS voltado atualmente para os polos consumidores. A ideia, considerada conciliadora, é de uma destinação compartilhada, compensando os estados e municípios geradores de energia.


CEARÁ


LUZ VERDE


O deputado Carlos Matos (PSDB) apresentou ontem proposta de lei que prevê a criação do Programa Luz Verde no Estado do Ceará. A inspiração vem da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, e pretende fortalecer o monitoramento através de câmeras de vigilância, junto com a comunicação dos Sistema de Segurança Pública.


“A esperança, embora enganadora, serve ao menos para nos levar até o fim da vida por caminhos agradáveis”

LA ROCHEFOUCAULD (1613-1680), escritor francês

 

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O POVO Economia da Rádio O POVO CBN (FM 95.5), a partir das 14 horas. Destaque para o “Sobe e desce da economia”, com o jornalista Nazareno Albuquerque.


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Gabrielle Zaranza

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