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Bolsonaro terceiriza e Haddad é terceirizado

00:00 | Out. 14, 2018
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Tipo Notícia

É plenamente compreensível a apreensão dos chamados movimentos sociais e seus simpatizantes com a iminente eleição de Jair Bolsonaro. Ele representa a indiferença às bandeiras do segmento, tais como o discurso da convivência entre diferentes quanto ao credo, cores de pele, orientação sexual e, enfim, toda a pauta.

 

Seu pensamento sobre este conjunto de temas e sobre a violência institucional e física promovida pela Ditadura militar constrói um inimigo perfeito. Aquele papel desempenhado até outro dia pelo ainda presidente Temer. Este não pelas mesmas razões do capitão, mas por encarnar o fim da Era petista. Aquilo que o PT chama de golpe, embora tenha participado de todo o processo e até se aliado com os chamados golpistas nas últimas eleições. Lembram?

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A propósito, com um plus: nem foi Bolsonaro, mas Temer quem fez despertar o vigor juvenil represado após 13 anos como situação. Com ele, foi possível cantar que "meus inimigos estão no poder". Ainda que o tenham posto lá.

 

Contudo, admita-se, a grande maioria dos eleitores brasileiros não parece nem um pouco sensível a agenda utilizada pela oposição na luta contra Bolsonaro. Ela não dá a mesma importância para o que é prioritário para os movimentos organizados da esquerda brasileira, para os inocentes do Leblon e para a chamada grande imprensa - aquela que só agrada aos críticos quando veicula o que se quer ouvir.

 

O eleitor médio tem outra pauta e seus traumas. Ele foi massacrado pela pior crise econômica da história na Era Dilma. A lembrar: o desemprego subiu de maneira avassaladora, quando atingiu 11 milhões de desempregados; a inflação saltou; o PIB desabou para retração de 3,90% ao ano; a dívida interna aumentou de maneira brutal e grandes companhias tiveram perda importante, como Petrobras e Vale. Tudo isso sem nenhum mea culpa. Pelo menos até o fechamento desta Coluna.

 

O eleitor é hoje uma personagem ávida antes de mais nada por uma economia saudável e segurança pública. Comodista que é e pouco afeito ao trabalho de ler os manuais de instrução, compra sim errado. Não é de hoje. Mas compra também movido pela raiva de outra marca. Seja de lavadora ou de partido. Se for partido envolvido com a Lava-Jato, nem se fala...

 

Em Bolsonaro, nem julga encontrar a melhor solução para a economia, mas para a segurança. Sabedor de que suas respostas não alcançam a economia, Bolsonaro convocou um economista com promessa de ser antítese do que fizeram os algozes das contas públicas nos anos do PT. A rigor, terceiriza a Fazenda. Tem tudo para dar errado, mas pode dar certo.

 

Quanto a Haddad, resta-lhe uma inglória é dificílima missão, a de provar não ser apenas um terceirizado de Lula, um presidiário por crime de corrupção. A sua visita à carceragem da Polícia Federal em Curitiba, logo na segunda-feira pós-pleito, soou como uma renovação de contrato para o segundo turno.

 

JOGO RÁPIDO

Abstraia que o oponente se chama Jair Messias Bolsonaro, um candidato rude, e imagine que o opositor do PT fosse a doce Marina Silva. Alguém duvida que o tom da campanha adversária seria agressivo e ostensivo? Foi com agressividade igual ou até maior que a campanha de Dilma fuzilou com ódio a candidata da Rede em 2014. Naquele ano, quem não conhecia o partido de José Dirceu caiu na real.

 

NOVOS TEMPOS, NOVOS MODOS

Eleitos, revejam os protocolos. Abram mão das pompas, sejam quais forem as circunstâncias. Dirijam o próprio carro para ir trabalhar. Experimentem ir de bicicleta, não apenas naquelas efemérides de mobilidade. Ao dar exemplo, cortem dos subordinados. Mandem o pessoal do cerimonial trocar o scarpin e o sapato de couro por tênis e eliminem as nominatas. Vocês são apenas eleitos. A cada dia fica mais ridículo abusar do dinheiro arrecadado. Magistrados, façam o mesmo.

 

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