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Alguma coisa está fora da ordem

00:00 | 02/09/2018

O clima é de confusão absoluta na divisão tradicional de forças que tem marcado o ambiente interno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na sua seccional cearense. Desde quando Paulo Quezado, o famoso criminalista, ocupou o comando da entidade, por dois mandatos, entre 1998 e 2003. Com boa força de persuasão e uma reconhecida capacidade articulatória, parte dela originária de seu tempo como combativo deputado estadual de oposição ao (primeiro) governo Tasso Jereissati, conseguiu estabelecer em torno de si um grupo político muito bem constituído.

Foi desse grupo resultante do trabalho de Quezado que nasceria, em 2003, a candidatura vitoriosa à presidência de Hélio Leitão, que teria mais dois mandatos no posto. No primeiro deles sem problemas, até que começaram a surgir sinais complicados já no segundo período, o que levaria a um rompimento no processo eleitoral seguinte. Na eleição de 2009, com cada qual deles de um lado, deu-se a vitória de Valdetário Andrade, apoiado por Quezado. Poderia ser um reagrupamento, mas não foi.

É difícil que alguém passe por um cargo de tanta visibilidade, e exatamente por isso muito visado, sem ter o ego de alguma forma afetado, o que explica as brigas entre aliados que terminam por acontecer, invariavelmente. O próprio Valdetário de alguma forma andou desagradando a Paulo Quezado, que, dizendo-se cansado, garante que não quer mais saber da briga pelo poder que une e divide os advogados. Mais divide, para ser franco, do que une.

O que acontece agora, porém, demonstra-se mais confuso e bagunça de vez o tradicional quadro de correlação de forças que há dentro da Ordem. Marcelo Mota, que chegou ao cargo três anos atrás muito em função de um grande envolvimento de Valdetário Andrade, recuou de intenção que tentava sutilmente emplacar de tentar novo mandato e acaba de anunciar apoio à candidatura de Erinaldo Dantas, que hoje comanda a Caixa de Assistência dos Advogados do Ceará (Caace), um dos mais poderosos braços de poder da OAB. Em movimento simultâneo, a sua vice-presidente Roberta Vasques lança-se à disputa pela cadeira principal, com apoio de Fábio Timbó, atualmente corregedor-geral na mesma diretoria e que já havia anunciado rompimento antes com o grupo atual.

Enfim, há certa curiosidade de descobrir onde se posicionaria Valdetário Andrade em meio a tanto desarranjo. Há grandes chances da candidatura de Roberta Vasques receber seu apoio, conforme especula-se entre os advogados que fazem política na OAB, mas, exemplos sucessivos demonstram que, no natural, o peso da máquina robusta acaba por ajudar na solução de muita coisa na disputa. Erinaldo, duas vezes derrotado antes como candidato de oposição, que o diga.

Diz Teu Número

Nem sempre a gente presta atenção nos números dos candidatos, mesmo, hoje, tendo que digitá-los para dar forma final à intenção de voto. Porém, é uma informação geralmente importante, como mostra, por exemplo, a tradição que envolve a opção 4512, que, pela sequência, acaba sendo atraente aos candidatos identificados com a bancada da bala.

Portes De Arma

Afinal, 45 e 12 são dezenas que, isoladas, remetem a armas consideradas de grosso calibre. Por isso é que teve a preferência do delegado federal Moroni Torgan nas sucessivas eleições como deputado tucano. Para 2018, quem herdou o número foi o Sargento Gerson que, claro, tem origem na mesma comunidade de segurança e fará uso dele numa perspectiva que reforce este vínculo.

Interpretação Proibida

Há muitas situações nas quais o número de legenda do candidato dirá algo, ou muito, do próprio discurso que o candidato leva à campanha a partir de sua vida pessoal. Quem for curioso, por exemplo, encontrará a candidatura à Câmara Federal de Débora Soft, pelo PMN, ancorada no número 3369. Uma pesquisa na vida da moça, ex-vereadora de Fortaleza, dará sentido à nota e ao número.

Fiel e Insatisfeito

A coluna encontra o senador José Pimentel e parte para o bate-pronto:

- Quem são seus candidatos, agora que o senhor está fora da campanha?

Pimentel - Todos do PT, como sempre foi.

- Mas não há preferência, indicados ao voto pelo senhor?

Pimentel - Tem, todos do PT. Como sempre.

- Quanto a Camilo?

Pimentel - É do PT.

Nada mais disse, nem lhe foi perguntado. Nem precisava.