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Uma gigante nordestina com alma cearense

2017-08-26 17:00:00

Estamos pouco habituados a empresas nordestinas que conseguem crescer a ponto de se tornarem multinacionais. Talvez por um antigo hábito local, refutamos preferencialmente produtos e empresas do entorno, mesmo com qualidade de gestão superior, afim de buscarmos amparo na simbólica empresa multinacional ou “importada”.

“Importada” do Sudeste. Se o produto for café, que não tem em nossa região uma tradição forte de produção ou distribuição, refutar-se-á mais ainda já que tendemos a não validar a “falta de tradição”. Uma dessas empresas é a Três Corações, também conhecida por nós aqui como Santa Clara, uma nordestina marrenta que peita a Nestlé no mundo das máquinas de espresso, deixa para trás, de longe, multinacionais que comercializam café em grão ou em pó e abraça produtores pequenos comprando sua produção por preços justos, ou quando não, “ficando apenas amigos” como costuma falar Pedro Lima, presidente e fundador da Três Corações, com faturamento esperado na casa de R$ 3,8 bilhões para 2017 e com participação nacional superior a 25% em café torrado e moído.


Uma empresa que permaneceu embrionária por muito tempo já que o João Alves de Lima era um empreendedor apaixonado, daqueles que o lucro não tinha relevância e sim o prazer de comerciar, isso era 1959.

Mas era uma família grande, unida e amparada por uma mulher forte que, aí sim, gestava com visão e mandou todos estudarem e se desenvolverem fora da pequena cidade de São Miguel-RN. Sábia D.

Maria. Todos obedeceram, mas o empreendedorismo tinha impregnado os irmãos Pedro, Paulo e Vicente. Obstinados, voltaram a São Miguel, ainda sem terminar suas universidades e fugindo a qualquer probabilidade preconcebida, tradicionalista ou imaginária de uma grande empresa de café ter que nascer em Minas ou São Paulo. Os três irmãos venceram!


A Santa Clara criou fortes vínculos com o Ceará depois de abrir seu primeiro grande parque industrial no Eusébio, em 1990. E, dali, partira um modelo vitorioso, fazendo dessa empresa a mais obstinada em educar o paladar do consumidor final, em dar suporte a comerciantes e cafeterias e, agora, com foco total no cliente-consumidor para que ele se acostume a excelentes produtos, de padrão tão alto quanto os melhores grãos, servidos nos melhores cafés. A iniciativa ganhará corpo extra com o lançamento da linha Santa Clara Reseva da Família. Uma seleção com três “terroir”, Cerrado Mineiro, Mogiana Paulista e Sul de Minas. Além de uma seleção de grãos orgânicos, proveniente do Cerrado Mineiro, com certificações como: Rainforest Alliance e Orgânico do Brasil. A linha Santa Clara Reserva de Família será o único café vendido em supermercado, já moído e com embalagem pequena de 250g, com pontuação superior a 80 pontos nas classificações da BSCA, Associação Brasileira de Cafés Especiais do Brasil. Da seleção Cerrado Mineiro o consumidor terá um café encorpado, levemente adocicado, com notas de caramelo e chocolate, aroma sempre intenso e acidez cítrica e de longa duração. Do Reserva da Família Mogiana Paulista, ao degustar, o consumidor sentirá notas de amêndoa e aroma floral, resultados de uma expertise da região de mais de 200 anos produzindo cafés de qualidade. Da seleção Sul de Minas, a maior região produtora de cafés do mundo, a bebida será encorpada e com doçura acentuada, notas frutadas e aroma intenso e baixa acidez. O consumo de café no Brasil passa por uma revolução, muda o paladar do consumidor, muda o hábito brasileiro de fazer seus encontros sociais, muda um campo econômico que beneficia a vários escalonamentos do campo à cidade e ganha o país, o Brasil. O maior produtor de café e, quem sabe, em breve um grande gerador de tendências de consumo, restauração e exportador de produtos e mão de obra.


Um brinde com a xícara!

Adriano Nogueira

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