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"Não é a economia, estúpido"

00:00 | 11/02/2018

Dia histórico na última quarta-feira. O Banco Central anunciou a taxa de juros de 6,75% ao ano. O menor índice desde o início da série instituída em 1986 pela autoridade monetária. Portanto, a menor taxa em mais de três décadas, período perpassado por diversos planos econômicos.

A boa notícia da taxa de juros se junta a uma série de outras desde que Michel Temer assumiu a Presidência da República. Pode-se dizer sem erro que a política econômica desse curto período é bastante virtuosa.

A competência maior do presidente foi nomear uma equipe econômica de rara destreza e dotada de plena autonomia para que o rigor técnico das decisões prevaleçam. Assim, não há chances do populismo e da politicagem prosperarem.

O resultado é uma surpreendente lista de sucessos. Alguns deles, como a reforma trabalhista, jamais alcançada pela longeva e respeitada equipe econômica que comandou a economia do País entre os governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

A equipe de Henrique Meireles assumiu o País com inflação ascendente superando os 10%, recessão histórica, desemprego galopante, desorganização econômica e descrença.

Havia uma grave crise econômica fabricada pelo próprio Palácio do Planalto, então sob o comando de Dilma Rousseff, com suas decisões desastradas adotadas em série. Quadro que, em grande parte, explica o impeachment.

Desde então, a virtude das decisões na área econômica fez com que a inflação despencasse para tranquilos 2,86%. É o menor índice desde 2007. Inflação sobre controle e juros baixos formam o conjunto básico para uma sociedade com economia civilizada.

Há outros pontos que merecem citação. O teto de gastos, batizado pela oposição de PEC do fim do mundo, foi instituído e criou uma zona segura para proteger a economia do País contra novos arroubos das irresponsabilidades populistas.

A partir desses três pontos, o País começou a sair da sua mais avassaladora recessão. O que era uma queda de quase 4% da atividade econômica tanto em 2015 quanto em 2016, passou para crescimento a partir de 2017. A expectativa para 2018 é um PIB aumentado em 3%. Um senhor feito.

 

Há outros pontos a citar. Um deles é o avanço nas privatizações, que ajudou a promover a atividade econômica. Cito o exemplar o caso do Aeroporto de Fortaleza. Uma maçaroca de ferro enferrujado de uma construção abandonada está prestes a virar um canteiro de obras bancado pelo dinheiro da empresa que passou a operar o Pinto Martins.

Privatizado, o nosso aeroporto se tornou o maior fator de atração econômica do Ceará com uma euforia de voos internacionais jamais imaginada nos tempos da estatal Infraero.

A reforma trabalhista é ponto fundamental em tudo isso. Um conjunto de leis da década de 1940 foi substituído por regras que certamente vão ajudar, e muito, na dinâmica econômica do País.

Todo o pacote citado explica a queda nos índices de desemprego. Ainda em velocidade muito lenta, é fato. Diga-se que programas sociais, como o Bolsa Família, foram mantidos e reajustados.

Diante de tudo, fica a questão: por qual motivo a popularidade de Michel Temer se mantém rastejante? Talvez seja preciso mais tempo para explicar esse fenômeno.

 

De todo modo, é o caso de lembrar a frase (“É a economia, estúpido”) comum na política norte-americana que aponta o desempenho da economia como a explicação para a popularidade ou a impopularidade de um presidente. Quando vai bem, o presidente é popular. A sentença não está funcionando para Temer.

ESTADO CAPTURADO PELA POLÍTICA

Uma média de 15 assassinatos a cada dia durante o mês de janeiro. Uma chacina por dia dispersa na geografia do Estado. Escândalo sem precedentes. Ouço a esquerda, o centro e a direita a respeito. A maioria tenta tirar uma casquinha política da montanha de defuntos.

O Estado não faz isso. O Estado não faz aquilo. Dizem os críticos. O Estado nunca investiu tanto em segurança, dizem os defensores do Governo. É provável que todos estejam certos e todos estejam errados.

Que tal deter-se sobre o mau uso dos recursos públicos? Viram a rua da chacina? Sem esgoto, sem calçamento, sem calçadas? O aparelhamento do Estado pela política, as inversões de prioridades administrativas e a persistência do capitalismo periférico dirigido pelo estatismo talvez expliquem melhor as coisas.