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O País que segue

2017-01-21 17:00:00

A resiliência é a capacidade de lidar com problemas e resistir à pressão em situações extremamente adversas. Diante de infortúnios e reveses, o resiliente acumula forças para superar as adversidades tornando-se mais forte do que era antes. Pois é. O Brasil está se mostrando um País de imensa resiliência. Noutros tempos, acontecimentos em série como os que açoitaram o País nos últimos anos já teria provocado alvoroços incontornáveis.

Em menos de dois anos, o Brasil teve a sua economia destroçada, com recessão sem parâmetros históricos, volta da inflação e desorganização das estruturas administrativas. Em menos de dois anos, o maior escândalo de corrupção da história nacional que atingiu em cheio os políticos protagonistas do poder. Em menos de dois anos, o impeachment de uma presidente com a ascensão ao poder do grupo político sócio das bandalheiras investigadas na incrível indústria de roubalheiras jamais vista na civilização ocidental.

Por fim, a morte do membro da Suprema Corte que tinha em mãos a prerrogativa de acusar as mais altas autoridades brasileiras, incluindo ministros, ex-ministros, o presidente do Senado, senadores, deputados federais, governadores, consultores, lobistas e uma parte vistosa da elite empresarial que estruturou seus ricos negócios ancorados em tenebrosas transações com o poder político.
 

Quais as consequências para o Brasil da triste morte de Teori Zavascki? Tudo leva a crer, que o rito consagrado nas leis será fielmente seguido. Portanto, não haverá consequências institucionais. Não haverá solução de continuidade nas tarefas desenvolvidas pelo ministro que se foi. Claro, diante das circunstâncias, os possíveis atrasos e adiamentos serão vistos como contingências absolutamente naturais.

Michel Temer vai indicar o novo ministro para compor os 11 do STF. Fará isso sem demora. Não há motivos para vacilar com o tempo e deixar que prosperem falatórios. O Senado, que volta a trabalhar no próximo dia 1º, também fará sua parte e não vai demorar a aprovar o nome indicado pelo presidente. Assim, sem grandes vácuos de tempo, o novo ciclo será completado.

Em paralelo, o STF fará a parte que lhe cabe. De acordo com as regras vigentes, como é próprio da Casa, definirá o melhor caminho a ser seguido. Muito provavelmente, redistribuirá para outro ministro a principal tarefa que estava nas mãos de Teori. No caso, a cota da Lava Jato que atinge autoridades com foro especial e as delações como a da Odebrecht.
O substituto de Teori apenas cumprirá um ato meramente protocolar. Afinal, o trabalho já estava em seus “finalmentes”. Faltava somente o grand finale, com a homologação da Odebrecht e a usual abertura do sigilo relacionado ao caso. Isso ainda vai acontecer. Não vai demorar.

Portanto, o resiliente Brasil, impávido colosso gigante pela própria natureza, seguirá resistindo e, muito provavelmente, sairá mais forte. Se não sair mais forte, é sinal de que fraquejou no meio do caminho e se entregou à doença. Porém, o Brasil é grande demais para caber em buracos. O caminho sempre será a saída.

As teses conspiratórias, claro, vão se multiplicar. O País já está acostumado. Temos muitas: as mortes, por exemplo, dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart ainda alimentam fantasias. O Brasil não tem igual. Já tivemos um presidente que resolveu meter uma bala no peito em pleno palácio presidencial, deixando uma carta de despedida. O País segue. A vida segue.

 

Por Fábio Campos

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