Um realmente novo governo Camilo
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Um realmente novo governo Camilo

2018-12-29 01:30:00
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O governo Camilo Santana (PT) parte dois não será mera continuidade do primeiro. O coração da administração da máquina será outro. Hoje, o principal gerente do governo é Maia Júnior. Ele sai do Planejamento e Gestão, parte da chamada área meio. Irá para a ponta da área econômica. A Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) é híbrida entre área meio e área fim. Deve ser indutora do crescimento econômico. E está robustecida. Irá incorporar a Secretaria da Agricultura, que tinha status de pasta autônoma, e a pesca, que foi secretaria na era Cid Gomes (PDT). Agrega o agronegócio e a atividade pesqueira, de grande importante na abrangente zona costeira cearense.

 

Mauro Filho (PDT) irá para o lugar de Maia Júnior. Ele passou 12 anos na Fazenda e assume o Planejamento, pasta que já comandou quando Ciro Gomes era governador. Porém, assume um Planejamento fortalecido. Na época, a pasta não havia ainda agregado a Secretaria da Administração - que, aliás, Mauro comandou no governo Lúcio Alcântara. Desde a gestão Maia Júnior, a Seplag se tornou o coração operacional do governo. Um papel além da economia.

 

Fernanda Pacobahyba é técnica de carreira, que contou com apoios importantes para assumir a Secretaria da Fazenda (Sefaz). A chegada dela representa o encerramento da era Mauro Filho na Sefaz. Leia-se, a quebra da influência dos Ferreira Gomes sobre a nevrálgica área de arrecadação. O papel do grupo segue proeminente, mas não se configura mais o controle histórico e estabelecido sobre um segmento que determina a saúde de um governo, a capacidade de realização. Governante nenhum costuma delegar a chave do cofre. Pelas condições em que chegou ao poder, Camilo havia feito isso em relação a Mauro e aos Ferreira Gomes: entregou a Fazenda a alguém mais vinculado a aliados que a ele próprio. O governador parece romper com isso. Não é coisa pouca.

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Os supersecretários

A equipe de Camilo conta com punhado de supersecretários:

Maia Júnior recoloca, na teoria, a SDE no papel estratégico que já teve durante a era Tasso Jereissati (PSDB). Naquela época, a atração de indústrias se tornou um eixo crucial na política econômica, como forma de geração de empregos. O então secretário Raimundo Viana exibia números significativos, mas turbinados por incentivos fiscais. Não está clara a prioridade de Maia, a linha de ação. Imagino que com mais sofisticação, amplitude, solidez. E, creio, devolvendo agressividade à política de desenvolvimento. Inovação e serviço deve ser um norte.

 

Carlos Roberto Martins Rodrigues, o Cabeto, é outro supersecretário. Médico dos mais conceituados, já foi cortejado por vários governadores, sempre declinando dos convites. No começo do governo Camilo, foi consultor da Secretaria da Saúde, algo frustrado por não ver suas ideias levadas adiante.

 

É o secretário da Saúde que chega com mais estofo e respaldo desde, pelo menos, Anastácio Queiroz, na era Tasso. O fato de ser excelente médico não o credencia como gestor. Mas, Cabeto é também, um pensador original. Concebe um projeto que integra educação/conhecimento, tecnologia e serviços em torno da saúde como fator de indução da economia e até mesmo da transformação do espaço urbano.

 

Élcio Batista será outro secretário bastante fortalecido. Mas, há dúvidas ainda sobre esse desenho da Casa Civil. Em relação à gestão, grande parte das atribuições estavam na Seplag, com Maia Júnior. Qual será o papel de Mauro Filho nesse gerenciamento? Não o vislumbro como secretário esvaziado. Outro campo da atuação da Casa Civil é a articulação política, na qual o papel que deverá ter Nelson Martins também ainda não foi esclarecido, nem a relação hierárquica.

 

O próprio Mauro Filho é um supersecretário. Assume a pasta deixada por Maia Júnior. Condutor da economia por 12 anos, o deputado federal eleito conhece as contas públicas por dentro e como ninguém. Como disse, não o imagino esvaziado e sem força. É uma voz poderosa.

 

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