A decisão de manter André Costa
PUBLICIDADE

VERSÃO IMPRESSA

A decisão de manter André Costa

2018-12-28 01:30:00
NULL
NULL

A manutenção de André Costa na Segurança Pública é aposta ousada do governador Camilo Santana (PT). Há vários motivos para que ele fique. O principal, oito meses consecutivos de queda no número de homicídios. Além disso, Costa cumpriu importante papel político de, pelo menos, minimizar a influência de Capitão Wagner (Pros) sobre as corporações policiais. Por esses dois fatores, até o começo de dezembro, a permanência de Costa era pule de dez. Mas, veio o massacre em Milagres. Morreram 14 pessoas, sendo seis delas reféns. Tragédia de repercussão mundial. Com relatos dando conta de que inocentes teriam sido mortos por tiros dos policiais. Sucessão de erros evidentes: falha de informação, pois não foi identificada a presença de reféns; ação temerária, pois não houve preparação para a possibilidade de haver reféns; falha de comunicação, pois a Polícia Rodoviária Federal não foi informada e chegou a enviar ao local alguns poucos homens, supostamente para ocorrência de acidente, com caminhão na estrada. Por pouco não se deparam com criminosos munidos de armamento pesado. Quanto à morte dos reféns, há razoáveis indícios de que a política de "Justiça ou cemitério" pode ter levado a uso indiscriminado da força, cujo desfecho foi o que se viu. Em resumo, uma baderna.

 

Entre prós e contras, Camilo mantém André Costa. A favor da manutenção, o fato de o secretário parecer ter encontrado um caminho e obtido redução de homicídios desde o primeiro semestre. Os resultados recentes têm sido positivos. Desse ponto de vista, a permanência faz sentido.

 

Porém, ao mantê-lo, Camilo leva para o segundo mandato uma crise que é do primeiro. Problemas pendentes, respostas a apresentar. Não deixa de ser positivo insistir na convicção. Seria sem dúvida mais fácil varrer o problema para a calçada, tirar Costa e fingir que Milagres não é problema do novo governo. Ao manter o secretário, o governador segue agarrado ao problema, como ele gosta de repetir. Milagres é levado para dentro do novo mandato.

[FOTO1] 

Manutenção é coisa inédita

O feito alcançado por André Costa não é coisa corriqueira, bem ao contrário. Há mais de 20 anos, desde a criação da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nos atuais moldes, sabe quantos secretários ficaram de um mandato para outro? Zero. Nenhum.

 

O primeiro titular da SSPDS no modelo atual foi o general Cândido Vargas Freire (1997-1998), no fim do segundo mandato de Tasso Jereissati (PSDB). O governador foi reeleito, mas quem iniciou o segundo mandato foi o também general João Crisóstomo de Sousa (1999). No próprio ano de 1999, Cândido Vargas Freire volta à SSPDS e fica até 2002. Mas, não foi período ininterrupto.

 

Com Lúcio Alcântara, passaram pelo cargo o delegado federal Wilson Nascimento (2003-2005) e o general Théo Espíndola Basto (2005-2006). Em todo o primeiro mandato de Cid Gomes, o posto foi do delegado federal Roberto Monteiro (2007-2010). Em todo esse período, foi o único a iniciar e terminar um mandato. No segundo governo Cid, assume a função o oficial da Polícia Militar Francisco Rodrigues (2011-2013). O mandato foi concluído pelo delegado federal Servilho Paiva (2013-2014). Com Camilo Santana, o delegado federal Delci Teixeira ficou em 2015 e 2016. Em 2017, entrou André Costa, também delegado federal.

 

O atual secretário não atravessou um mandato inteiro, mas a mera permanência de um mandato a outro já quebra paradigmas. Como antes não havia reeleição, é possível que nunca antes num secretário da área tenha ficado de um mandato para outro.

 

Isso é ainda mais surpreendente ao se considerar que, apesar da melhora nos últimos meses, Costa detém dois recordes. Com mais mortes violentas da história do Ceará em 2017. O segundo nesse ranking é 2018. O secretário coleciona marcas.

 

No segundo mandato, espera-se que apresente números muito melhores que os atuais.

 

TAGS