Esforço de Cid para remendar o estrago
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Esforço de Cid para remendar o estrago

2018-10-18 01:30:00
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Cid Gomes (PDT) passou a empreender esforço para remendar o dano causado à campanha de Fernando Haddad (PT) na segunda-feira, 15. A intenção era dar apoio crítico. Apoiar, mas não muito. Pedir voto sem se comprometer. Porém, errou a dosagem, a coisa saiu do controle e soou como crítica total. Virou instrumento da campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Como disse ontem, mais contundente que qualquer gesto da campanha de Bolsonaro até aqui. Foi então que Cid passou a empreender esforço em prol de Haddad, de forma mais enfática do que gostaria.

 

Foi ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impedir Bolsonaro de continuar usando na propaganda eleitoral o vídeo de suas críticas ao PT. É um gesto muito mais simbólico. O vídeo já tomou as redes sociais e se espalhou por WhatsApp. O dano maior já foi causado.

 

Ontem, Cid compartilhou vídeo para a disputa nessa trincheira das redes sociais. Não retira o que disse - "Com tudo que penso e diante de tudo que falei", abre sua fala. Mas, desautoriza a exploração. "Não é correto o que fez o outro candidato, usando imagens minhas editadas, sem minha autorização".

 

Diante do gol contra que se tornou a mais desastrada declaração de apoio jamais vista, Cid Gomes teve de ser mais direto e explícito em seu apoio do que gostaria: "Que não fique nenhuma dúvida. Neste segundo turno, Haddad é o melhor para o Brasil. Votarei no Haddad no dia 28".

 

Trata-se de redução de danos. A campanha de Haddad, a bem da verdade, já vinha em franca desvantagem nas pesquisas neste segundo turno. Mas, a troca de insultos com petistas veio em momento no qual se tentaria uma última reação. Virou a pauta da campanha nacional. O estrago está feito. Cid o estancou. Para inverter mesmo a situação, talvez só se houvesse um gesto claro e direto de Ciro Gomes (PDT), que está é no Exterior. Enquanto o País caminha para eleger o Bolsonaro.

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A posição dos Ferreira Gomes

Não é de todo surpreendente o desfecho do evento de segunda-feira. Poucas forças são tão poderosas na política brasileira quanto o orgulho ferido dos Ferreira Gomes.

 

As mágoas, sobretudo das articulações antes do primeiro turno, são muitas e têm razão de ser. Ivo Gomes (PDT), prefeito de Sobral, defendeu sua posição no dia seguinte ao primeiro turno: "#eleNão e oposição a quem quer que vença as eleições". E destacou: "Embora haja um mal maior, nenhum dos dois projetos serve ao Brasil". Dias depois, trocou a foto de seu perfil por avatar com nome de Haddad e Manuela D'Ávila (PCdoB).

 

Sintomática a defesa da oposição a Haddad em caso de vitória, mesmo declarando apoio no segundo turno.

 

Caso o resultado das pesquisas se confirme nas urnas, será interessante observar a construção de uma frente de oposição no Congresso Nacional.

 

Previdência foi reação ao comunismo

Comentei na terça-feira sobre as propostas dos candidatos para a Previdência. De volta ao assunto, é curioso como defender regras inclusivas de aposentadorias hoje soa proposta de esquerda - e como esquerda hoje é tratada como sinônimo de socialismo. Porque o primeiro sistema de seguridade social moderno foi criação de um conservador, em resposta ao comunismo. Na Alemanha recém-unificada, sob governo do "chanceler de ferro" Otto Von Bismarck, foi criada a Lei do Seguro Social. Era uma estratégia para conter os conflitos entre operários e proprietários de indústrias, o que dava fôlego às ideias socialistas que emergiam.

 

Bismarck entendeu o óbvio: as condições degradantes e extenuantes às quais trabalhadores eram submetidos nos primeiros anos da revolução industrial levavam a níveis inadministráveis de tensão social. E compreendeu que a qualidade de vida dos setores mais pobres e vulneráveis é interesse de todos, condição para a vida em sociedade.

 

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