Se Bolsonaro não aceitar resultado, vai fazer o quê?
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Se Bolsonaro não aceitar resultado, vai fazer o quê?

2018-09-29 01:30:00
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Na primeira entrevista após ter sido alvo de atentado, Jair Bolsonaro (PSL) brindou o eleitor com um desaforo. Disse que não aceita resultado das urnas que não sua vitória. Muito bonito isso.

 

Afirma que, pelo que vê nas ruas, não pode haver outro resultado, salvo se for fraude. Ora, ora, ora. Todas as pesquisas indicam que, hoje, ele perderia a eleição no segundo turno, contra qualquer adversário. Ele está hospitalizado há três semanas e sem poder ver essas ruas. Mesmo quando estava lá, era em atos de seus apoiadores. Portanto, impressão enganosa. Com base em que ele coloca em dúvida a democracia brasileira? É muito grave.

 

E é um desaforo porque afirma que o eleitor não tem direito a outra opinião que não elegê-lo.

 

A questão é: se não aceitar o resultado, vai fazer o quê?

[FOTO1] 

Em 2014, Aécio Neves (PSDB) também não aceitou. Iniciou campanha que o senador Tasso Jereissati (PSDB) reconheceu ter sido um erro. É fora de dúvida que aquele movimento se juntou às trapalhadas do governo Dilma Rousseff (PT) para aprofundar a crise econômica da qual o País não sai mais de dois anos após o impeachment.

 

E Bolsonaro? Se não aceitar o resultado, fará o quê? Coisa parecida? Ou coisa pior?

 

O que ele falou ontem é uma afronta, um desaforo. E uma ameaça.

 

Fala de Ciro é problema para Haddad

Ciro Gomes (PDT) disse ontem que não apoiará Fernando Haddad (PT) no provável segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL). A se confirmar tal posição, é um baque para o petista. Afinal, Ciro vem se posicionando como terceira força nesta eleição. O apoio dele seria, teoricamente, o mais natural para o PT no 2º turno. Por isso a posição surpreende.

 

É possível que, confirmado o segundo turno, Ciro adote outra postura. Agora, ele tenta demarcar posição que provavelmente tenta atrair antipetistas que votariam contrariados em Bolsonaro só para derrotar o PT. Mas, prefeririam outra alternativa.

 

O pedetista vê que os acenos aos simpatizantes petistas não têm surtido efeito. Esse segmento tem ido mesmo é para Haddad. Por outro lado, antipetista por antipetista, se o eleitor procura alternativa a Bolsonaro pode optar mesmo por Geraldo Alckmin (PSDB), que no Datafolha ontem ficou a um ponto de Ciro.

 

A razão para Ciro não apoiar Haddad no segundo turno

O mais curioso mesmo é a razão para Ciro dizer que não apoia o PT: o fato de o partido estar junto com Renan Calheiros e, no Ceará, estar com Eunício Oliveira, ambos do MBD.

 

Pera lá. O PT está junto do Renan Calheiros desde que chegou ao poder. Na mesma época em que Ciro virou ministro da Integração Nacional, Renan virou presidente do Senado, com apoio de Luiz Inácio Lula da Silva. Certo, Ciro menciona que isso veio depois de o PT denunciar um golpe. Renan, emedebista que é, votou pelo impeachment. Mas, foi o mais hesitante de todos eles. E foi quem costurou o arranjo para permitir a Dilma ser candidata agora.

 

Muito mais complicado é o argumento sobre Eunício. Ora, quem apoia o senador é o PT do Ceará, da cozinha de Ciro. É o governador Camilo Santana. Até a certo contragosto do PT nacional, que, no fim, acabou dando as bênçãos. E Cid Gomes, irmão do Ciro, topou fazer campanha ao lado dele. O PDT de Ciro topou não ter um segundo candidato para se compor com Eunício, de forma um tanto envergonhada.

 

Ciro diz que não dá para apoiar ao PT, mas segue junto do governo petista no Ceará. Com Eunício, com tudo.

 

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