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A tentativa do PSDB de se distanciar de Temer

01:30 | 14/09/2018

O PSDB empreende esforço para se distanciar do governo Michel Temer (MDB). Aparentemente, percebeu a âncora que a impopularidade do presidente representa para a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). Em entrevista publicada ontem pelo Estado de S. Paulo, Tasso Jereissati disse que entrar no governo Temer foi o maior erro do PSDB. Também ontem, Alckmin disse: "O PSDB não tem nada a ver com esse governo, totalmente distanciado do povo. Partido moderno dialoga com o povo, presta conta".

 

Dois aspectos da relação Temer x PSDB

1) A bem da verdade, Temer investiu contra o PSDB, em vídeo gravado na semana passada, antes de o partido passar a renegá-lo.

 

2) Justiça se faça, Tasso era a favor de deixar o governo Temer muito antes de o partido se decidir a fazê-lo.

Alckmin e Temer: PSDB foi fiador do atual governo Rovena Rosa/Agência Brasil
Alckmin e Temer: PSDB foi fiador do atual governo Rovena Rosa/Agência Brasil
 

Não dá para renegar

Agora, o PSDB não pode dizer, como fez Alckmin, que "não tem nada a ver com esse governo". Pela forma com Temer ascendeu, aliás, o partido não tinha escolha que não fosse aderir.

 

Afinal, foi o PSDB que criou as condições para o impeachment de Dilma. Não teria cabimento derrubar uma presidente, viabilizar a ascensão de outro e dizer que não daria apoio a ele.

 

Indo além, nunca ficou visível a olho nu a diferença programática entre o PSDB e o governo Temer.

 

Alckmin usa PT contra Bolsonaro

Na tentativa de tirar votos de Jair Bolsonaro (PSL), Alckmin disse que o capitão do Exército seria, no governo, uma espécie de volta do PT. Isso mesmo. Se o PT diz que Fernando Haddad (PT) é Lula, Alckmin diz que Bolsonaro é PT.

 

Certamente, uma das mais originais críticas ao candidato do PSL. O argumento de Alckmin tem um fundamento que faz sentido. Afirmou que, em grandes polêmicas, Bolsonaro sempre votou com os petistas: contra o Plano Real, contra a quebra do monopólio do petróleo, contra a quebra do monopólio das comunicações... Tudo verdade.

 

Com um porém: os partidos votavam juntos quando o PT era oposição. Quando os petistas chegaram ao governo, vários votos de Bolsonaro se alinharam com o PSDB.

 

É fato, todavia, que, entre Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula, o capitão ficou com este último.

 

A reforma que não deu certo

Sob discurso de austeridade e responsabilidade, o Brasil se viu mergulhado numa condução econômica que até soa verossímil. Parece fazer sentido, não fosse o fato de não dar certo quando comprovada com a realidade. Esses segmentos costumam acusar os adversários políticos de ideológicos, mas suas concepções são meramente ideologizadas, recheadas de crenças.

 

A reforma trabalhista entrou em vigor no ano passado, com o argumento de flexibilizar direitos trabalhistas para induzir à formalização. A manchete do O POVO de ontem mostrou alta de 6% na informalidade. Passou de um milhão de pessoas no Ceará, um estado cuja população economicamente ativa, pelo último censo, era de 3,4 milhões.

 

A reforma ainda vai completar um ano, pouco tempo para ter avaliação mais consistente de seus efeitos. Porém, foi a propaganda do governo que vendeu o paraíso rápido e fácil. Hoje, o País tem mais informalidade e emprego formal de menor qualidade.

 

Novamente nesta campanha, muitos candidatos falam de reformas. Tem funcionado assim: os prejuízos são certos e os benefícios, uma miragem.