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A briga entre Ciro e Haddad pela vaga no 2º turno

01:30 | 12/09/2018

Na pesquisa Datafolha divulgada na noite de segunda-feira, 10, quatro pontos separam quatro candidatos tecnicamente empatados na segunda colocação. Na pesquisa Ibope divulgada ontem, são três pontos. Há um bolo no qual estão Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT). Embora estejam em um mesmo bolo, há realidades muito distintas.

 

Marina Silva vem em queda livre. Difícil que se recupere. Enquanto os outros três sobem, ela desce. O movimento destoa. Ela foi a única deles que concorreu há quatro anos. Em dado momento, teve chance real de vencer em 2014. Então, tem como grande vantagem o fato de ser conhecida, a força de largada. Contra, a falta de tempo de propaganda e de estrutura. Se está em baixa agora, difícil reverter o movimento. Possível, mas difícil. Improvável.

 

Geraldo Alckmin não disputa voto neste mesmo campo da centro-esquerda. Apesar de estar nesta trincheira, a briga dele é em outra frente. Falo mais a seguir.

 

No momento, a grande e acirrada disputa é entre Ciro e Haddad. É a briga da vez pelo segundo turno.

 

Os movimentos de Ciro

A situação de Ciro é a grande disparidade entre Datafolha e Ibope. Cresceu três pontos na primeira e oscilou um ponto para baixo na segunda. A pesquisa de segunda deu indicativo de ascensão. A de ontem sugeriu que o movimento estancou. Será necessário aguardar os próximos números para ter clareza da tendência. Hoje, o fato é que Ciro é o mais bem posicionado para ir ao segundo turno contra Bolsonaro. Tem perfil para crescer.

Haddad e Manuela em ato que formalizou substituição de Lula: fato novo Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
Haddad e Manuela em ato que formalizou substituição de Lula: fato novo Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
 

Tem dois problemas: 1) Haddad em seu encalço. 2) Ao ficar em evidência, será alvo prioritário de seus adversários. Assim, seu temperamento será posto à prova como nunca.

 

A perspectiva de Haddad

Haddad tem uma grande vantagem. É quem tem o principal fato novo da campanha, pois virou candidato mesmo, de verdade, ontem. Mesmo sem ser anunciado candidato, sem participar de debates e sabatinas, sem ter cobertura televisiva, ele encostou nos demais. Por tendência, pode atropelar.

Algumas desvantagens: a rejeição dele é maior que a de Ciro, com quem tem disputa mais direta. A do PT e a de Lula são ainda maiores. Então, quanto maior a vinculação, mais crescem as intenções de voto e a rejeição. O saldo, porém, tende a ser mais positivo que negativo.

 

Como Ciro, também vira alvo. Aliás, sobretudo um do outro.

 

Alckmin mira Bolsonaro

Alckmin tem situação complicada. Menos pelo número das pesquisas, mais pela conjuntura. Não disputa voto, principalmente, do ex-eleitor de Lula. Seu voto é de centro-direita. Briga, então, com Bolsonaro. O candidato do PSL lidera com muita folga. O tucano tem batido nele, mas só houve crescimento. No Datafolha, foram dois pontos após o efeito facada. No Ibope, quatro. Enfim, se Alckmin depender de tirar voto de Bolsonaro para ir ao segundo turno - e é fundamentalmente isso - ele está bem enrascado.

 

A outra chance que ele tem é de não tirar tantos votos de Bolsonaro para ir ao segundo turno, mas conseguir o bastante para ficar à frente de Ciro e Haddad.

 

A briga entre o pedetista e o petista, a ponto de matarem um ao outro, é a principal esperança de Alckmin para fazer o segundo turno contra Bolsonaro.