Impacto da aliança informal depende da força de Girão e Mayra 

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Impacto da aliança informal depende da força de Girão e Mayra

2018-08-04 01:30:00
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Eunício Oliveira (MDB) será oficializado hoje candidato a senador. Formalmente, ficará fora da coligação governista de Camilo Santana (PT), Izolda Cela (PDT) e Cid Gomes (PDT). Na prática, terá apoio declarado do governador. O quanto faz diferença a aliança ser informal?

 

Eles não compartilham tempo de rádio e TV. O aparecimento de um na propaganda do outro é proibido. Se isso será problema, depende da viabilidade das candidaturas de oposição.

 

É pouco provável que as pequenas candidaturas - Psol, PSL, PSTU e Rede - façam frente ao presidente do Senado. Não se vence campanha estadual sem estrutura e apoios no Interior. Nisso Eunício larga bem na frente. A questão é: qual o potencial de Luís Eduardo Girão (Pros) e Mayra Pinheiro (PSDB)?

 

Eunício tem apoio do governador, tempo de rádio e TV, estrutura. Em tese, sua situação é favorável. Porém, se um dos oito candidatos de oposição crescer, a informalidade da aliança pode ser problema. Vale lembrar que, em 2010, Eunício foi eleito ao lado de José Pimentel (PT), em chapa impulsionada pela propaganda de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lado de ambos e repetindo: "Quem votar em um vota no outro, quem vota no outro, vota no outro e não precisa votar em mais ninguém".

 

Isso não vai mais acontecer, não apenas por Lula estar preso. Eunício não poderá aparecer com ambos no horário eleitoral. Em 2002, Patrícia Saboya, hoje conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE), foi eleita senadora pelo PPS, em coligação informal com o PSDB. A verticalização estava em vigor e impediu a aliança oficial. Acabou não sendo problema. Se dessa vez será diferente, dependerá do desempenho, sobretudo, de Girão e Mayra.

 

O potencial dos opositores

Em tese, Eunício larga em vantagem. Mas, carrega consigo o desgaste do MDB. Ele é parte importante do governo Michel Temer. Um fardo pesado. Por isso, é enxotado pela base petista, ao mesmo tempo em que tenta se associar a Lula.

 

Girão, por sua vez, é quase nada conhecido. Ganhou projeção como presidente que não deixou o Fortaleza morrer na série C. E tem discurso em série de pontos de grande apelo ao público conservador, sobretudo o combate ao aborto e à descriminalização das drogas. Tem abordagem religiosa, algo que sempre rendeu votos.

 

Mayra foi presidente do Sindicato dos Médicos. Trata da saúde, um dos temas que mais preocupam os eleitores, e se aproxima do discurso liberal-conservador. Estão longe de ser certeza, mas são possibilidades, sim.

 

Eunício é alvo preferencial

Problema extra para Eunício: ele tem sido alvo de todos os adversários. A Rede, por exemplo, só irá disputar cargo majoritário para o Senado, com João Saraiva. Ailton Lopes, do Psol, tem ido para cima de Eunício. Ele é a parte mais frágil da base governista. Nem na coligação formal está. É a melhor chance de a oposição impor uma derrota ao governo. Mais fácil que impedir a reeleição de Camilo ou a vitória de Cid.

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O funcionamento da aliança informal

Como, na prática, irá funcionar a aliança informal de Eunício com Camilo? O jornalista Rubens Rodrigues indagou ontem ao governador, que não respondeu.

 

Uma mostra será dada neste fim de semana. Camilo irá à convenção de Eunício? Se não for, será um baque e tanto para o emedebista. Cid não deverá ir. Mas, no domingo, Eunício irá à convenção de Camilo? Tudo indica que sim. Se a porta for fechada para ele, será um constrangimento maior ainda para o presidente do Senado. Será que veremos Cid e Eunício no mesmo palanque?

 

Outra questão é se Ciro estará na convenção de Camilo. O candidato pedetista a presidente vive estranhamento com o PT. E o partido do governador terá lançado seu próprio candidato a presidente na véspera. Enfim, será que veremos Ciro e Eunício no mesmo palanque?

 

Erramos: originalmente, a coluna citava o partido errado de Girão. Ele é do Pros.

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