Clima está estranho na aliança governista
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Clima está estranho na aliança governista

2018-08-07 01:31:00
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Juntar tantos partidos numa aliança traz facilidades para governar, vantagens na campanha, mas é uma complicação para conciliar tantos interesses. Envolve a dificuldade de montar a chapa majoritária estadual e acomodar ambições. Tem o problema de montar as alianças proporcionais, além de administrar incongruências nacionais. Nas vezes em que concorreu a governador, Cid Gomes (PDT) teve mais dificuldades nessa fase que na campanha em si. Não se sabe como será esta segunda campanha majoritária estadual de Camilo Santana (PT), mas os problemas para costurar a composição têm sido bem consideráveis.

 

Camilo foi o único governador petista ausente na convenção de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no sábado. Estava, no mesmo horário, na oficialização da candidatura do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB). Não deixa de ser sintomático um governador do PT faltar ao lançamento de Lula para estar com um senador de primeiro escalão do MDB.

 

Camilo levou recado de Cid para Eunício. Disse que o pedetista mandou avisar que estaria junto com o emedebista. Que só não foi à convenção porque estava resolvendo "a confusão das coligações de deputado federal e estadual". No dia seguinte, Cid não foi também à convenção de Camilo. O motivo apontado já foi outro: enxaqueca.

 

Bom, não me parece que Camilo ia inventar recado de Cid Gomes. O ex-governador deu aval aos entendimentos, tanto que o PDT não levou adiante a intenção de ter dois candidatos ao Senado. É verdade que ele estava mergulhado nas intrincadas negociações da aliança proporcional, assim como é fato que ele sofre de enxaqueca.

 

Também é verdade que, em algumas ocasiões, a enxaqueca apareceu em momentos estratégicos politicamente. Waldemir Catanho, braço direito de Luizianne Lins (PT), lembrou que foi esse o motivo alegado para Cid não ir à convenção que lançou a candidatura da petista à reeleição, em 2008. Naquela época, Luizianne resistia à indicação de Tin Gomes como candidato a vice-prefeito. Mais tarde, acabou cedendo. Mas foi um primeiro estremecimento rumo ao rompimento que ocorreu quatro anos depois.

 

Agora a ausência é mais séria. Em 2008, Cid não era candidato. Agora, concorrerá a senador. Se a ausência foi apenas enxaqueca ou sintoma de mal-estar dentro da aliança, o desenrolar da campanha irá mostrar.

 

Haddad e Alckmin têm força para atropelar Bolsonaro e Marina?

Fernando Haddad (PT), escolhido para substituir Lula na disputa eleitoral, tem ficado na casa de 1% das intenções de voto nas pesquisas. Risível para quem foi ministro de área como a educação e prefeito da maior cidade do País.

Geraldo Alckmin (PSDB), dono da maior coligação, não chegou ainda aos dois dígitos. Patético para o homem que por mais tempo na história governou o maior estado do País.

 

Pelas últimas pesquisas, sem Lula na disputa, o segundo turno seria entre Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), com chances para Ciro Gomes (PDT). Isso significa que Haddad e Alckmin não têm chances?

 

Não diria isso. Os dois têm o que falta a Bolsonaro e Marina: apoios fortes, governos, prefeituras, dinheiro, tempo de rádio e televisão. Desde a redemocratização, ninguém venceu a eleição sem isso. O quanto as coisas mudaram e o quanto permanecem as mesmas após a crise política? As urnas dirão.

 

É certo que Alckmin e Haddad subirão. No caso do petista, até porque não dá para descer. A dúvida é se o impulso será suficiente para ameaçar os hoje líderes. Não descarto que, de repente, os dois estejam no segundo turno. É a polarização que governa o Brasil há seis eleições. É muito provável que ao menos um deles entre no páreo.

 

Bolsonaro e Marina estão bem, mas não basta a eles sustentar suas posições. Precisarão crescer. Essa é a batalha inglória.

 

A crise política deixou PT e PSDB muito combalidos. Mesmo assim, ambos ainda têm possibilidades de estar em um segundo turno.

 

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