Ciro nunca foi tão só a uma eleição presidencial 

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Ciro nunca foi tão só a uma eleição presidencial

2018-08-03 01:30:00
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A candidatura de Ciro Gomes (PDT) vive uma crise, quase depressão. Esteve bem perto de ter uma supercoligação, com o Centrão, o PSB, chance de ter o PCdoB. Algo improvável para quem já falou mal de tanta gente. Ele quase conseguiu. Quase.

 

Uma parte, o Centrão, foi para o PSDB. Outra, o PSB, se entendeu com o PT. O PCdoB segue caminho próprio. De modo que Ciro caminha, pela primeira vez em três eleições, para a campanha presidencial sem um aliado sequer. Algo inédito em sua trajetória.

 

Em 2002, ele reuniu PDT e PTB, ao lado do seu então PPS. Em 1998, quando concorria pela primeira vez numa eleição nacional, tinha ao seu lado o PL (atual PR) e o PAN.

 

Ele vive realidade muito diferente das alianças descomunais montadas pela família no Ceará. Ciro, por volta de junho, chegou a aparentar ser um dos potenciais favoritos na eleição, entre a truculência de Jair Bolsonaro (PSL) e as insossas candidaturas de Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB). Porém, o sistema político não levou adiante a aposta em sua viabilidade.

 

Pernambuco pode ver surgir sua Luizianne; e ela pode ajudar Ciro

Termo central no acordo entre PT e PSB é a retirada da candidatura de Marília Arraes (PT) em Pernambuco, para apoiar a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Ontem, porém, Marília teve a candidatura aprovada por maioria acachapante: 230 a 20. Se não houver intervenção nacional para tirá-lo do páreo, o acerto pode ser inviabilizado. Caso se mantenha na disputa, ela será uma espécie de Luizianne Lins (PT) pernambucana.

 

Vale lembrar: em 2004, a hoje deputada federal cearense conseguiu impor sua candidatura a prefeita de Fortaleza, a despeito de toda a oposição do comando nacional, que queria acordo com o PCdoB. Com uma diferença: a maioria de Luizianne foi de um voto. Um. Marília levou por 230 a 20. Se a decisão nacional for de intervir para tirá-la da disputa, será processo certamente traumático para um partido já fragilizado, cujo líder maior está preso.

 

Em Minas Gerais, o acordo também está ameaçado. Lá, é Márcio Lacerda (PSB) quem deveria retirar a candidatura a governador para apoiar a reeleição do petista Fernando Pimentel. Lacerda também vai para a briga e tudo indica que ganhará. Ou seja, pode ainda haver reviravolta no acerto PT-PSB.

 

Isso pode favorecer Ciro? Sim, mas não necessariamente. O fato de o entendimento entre PT e PSB balançar não significa que o PSB voltará para os braços de Ciro. Como as conversas com o pedetista foram encerradas, é improvável que haja mudança a ponto de viabilizar acordo até domingo.

 

Aécio buscará no eleitor o foro privilegiado

Aécio Neves (PSDB) passou perto de ser presidente como nenhuma outra pessoa que não ocupou o cargo. Perdeu, há quatro anos, a eleição presidencial mais apertada da história. Neste ano, ele retira a candidatura ao Senado para concorrer a deputado federal. Não, não é vontade de legislar e apresentar projetos em favor do povo, seja em qual Casa for. Ele vai em busca de foro privilegiado, sem o qual é muito grande a chance de ser preso. O desgaste sofrido chegou ao ponto de alguém antes tão poderoso em seu Estado ter em sérias dúvidas a vitória em uma das duas vagas de senador. E Aécio não está em posição de carregar esse tipo de dúvida. Não quer correr riscos ou entrar em aventura. Para deputado, como são muitas vagas, sua vitória é quase certa.

 

É triste que alguém que esteve tão perto de comandar a República esteja nesta situação. É triste que o eleitor seja usado como escudo contra a Justiça. E mais triste ainda que esse mesmo eleitor se preste a esse papel e dê o foro privilegiado a quem tenta se aproveitar do que resta de popularidade.

 

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