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Senado indefinido para governo e oposição

2018-07-18 01:30:00
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As composições para o Senado têm se tornado a parte mais complicada das composições de chapas para o Governo do Ceará nos últimos 12 anos. Foi diferente na época em que o PSDB tinha poder absoluto. Tasso Jereissati definia o nome e a oposição tinha de pelejar para conseguir alguém disposto a ir para a disputa inglória. Agora, tanto a base governista quanto a oposição enfrentam problemas. Do lado de Camilo Santana (PT) há excesso de postulantes. Na oposição, faltam candidatos. O prazo para convenções começa depois de amanhã e os principais blocos têm mais lacunas que definições.

O governador comanda a chapa teoricamente favorita e, por isso mesmo, tem mais problemas. Teve como grande jogada política de seu mandato conseguir atrair para seu lado o ex-adversário Eunício Oliveira (MDB). Mas, seus padrinhos políticos - os Ferreira Gomes - não demonstram gostar da ideia. Por fora, ainda há José Pimentel (PT), que nunca foi propriamente visto como aliado por Camilo, mas conta com o fato de o PDT ter Ciro como candidato a presidente, contra Luiz Inácio Lula da Silva ou quem o PT apoiar em seu lugar.

Na oposição, há Luís Eduardo Girão (Pros). A outra vaga é uma incógnita no PSDB. Mayra Pinheiro e Lúcio Alcântara eram cotados no PSDB, mas ambos desistiram. Ela concorrerá a deputada estadual e ele não será candidato. Luiz Pontes (PSDB), ex-senador, também é cogitado, mas não demonstrou lá grande empolgação com a ideia. O advogado Leandro Vasques, também tucano, é quem tem se movimentado mais intensamente e demonstra interesse na postulação.

ONDE FALTA E ONDE SOBRA CANDIDATO

É fácil entender por que sobram candidatos do lado governista e faltam na oposição. Ao menos na teoria, o bloco de Camilo detém o favoritismo. E, nos últimos 56 anos, só dois senadores foram eleitos sem estar aliados ao candidato governador que venceu a eleição: Carlos Jereissati em 1962 e seu filho Tasso, em 2014. (Em 1974, Mauro Benevides era oposição e venceu, mas não havia eleição direta para governador). Ou seja, o candidato a governador puxa os votos. Estar na chapa vitoriosa é mais de meio caminho para o mandato de oito anos.

Em 2014, a composição para o Senado foi atipicamente tranquila. pois Tasso Jereissati se decidiu a ser candidato, e não houve contestação, na forte chapa de oposicionista na qual Eunício Oliveira (MDB) saiu na frente nas pesquisas. Mauro Filho, pelo Pros, foi candidato e teve desempenho bem além do que sugeriam as pesquisas. Não era cenário fácil e, talvez por isso, não houve outros, postulantes na base do governo.

Porém, em 2006 e 2010, Cid Gomes (PDT) teve dificuldades para acomodar os interesses em sua aliança, vitoriosa em ambos os casos. Na primeira, Inácio Arruda (PCdoB) travou queda de braço, mostrou-se irredutível e se impôs como candidato, frente ao então favorito da aliança, Eunício Oliveira (MDB), que foi para deputado federal. A indefinição foi até o último dia para realização de convenções.
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Em 2010, eram duas vagas. Eunício, preterido quatro anos antes, tinha lugar assegurado. Cid, então, tentou fazer com que o PT desistisse do segundo posto, como forma de favorecer Tasso. Não era tarefa fácil. Até Lula entrou no jogo, Tasso decidiu romper com Cid e ficou em terceiro na disputa por duas vagas.

A busca por acomodar os interesses dentro da aliança foram o principal obstáculo para Cid Gomes na tentativa de conciliar aliança tão grande. O Senado é o grande prêmio para quem apoia um candidato a governador. Agora, o próprio Cid é cotado para concorrer ao posto e convive com essa difícil acomodação.

A APOSENTADORIA DE UMA GERAÇÃO

O ex-governador Lúcio Alcântara (PSDB) escreveu na segunda-feira, em seu perfil no Facebook, sobre a decisão de não ser candidato e afirma que “chegou a hora de parar”. A se confirmar que está se aposentando de disputas eleitorais, é o último remanescente de sua geração a se retirar.


 

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