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Os destinos de Lula e de Temer

2018-03-07 01:30:00
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Em um dia, Michel Temer (MDB) tem sigilo quebrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No dia seguinte, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nega habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Qual o desdobramento das medidas em relação ao ex e ao atual presidente? Lula caminha célere para ser preso. Quanto a Temer, a quebra de sigilo não deve dar em nada, para além do novo golpe em um governo já combalido.

DESMORALIZAÇÃO

Duvido muito que a quebra de sigilo bancário aponte o que quer que seja contra Temer. Não por ele ser inocente ou culpado de qualquer coisa. Nem entro nesse mérito. A questão é que seria demais um presidente da República em pleno exercício do mandato, já investigado, citado em delações e denunciado em outros casos, receber dinheiro de propina depositado na própria conta. Seria superestimar a estupidez de uma velha raposa da política.

Tanto sabem que não encontrarão coisa nenhuma que, nem bem a notícia vinha a público, o Palácio do Planalto disse que entregaria os dados e, inclusive, daria acesso à imprensa. Não estivessem certos de que não há nada lá, eles cogitariam recorrer, questionariam a violação institucional. Argumento não falta.

É possível, claro, que a convicção seja pela consciência limpa de quem sabe não ter feito nada de errado. Porém, se for quebrar o sigilo de muitos corruptos contumazes, também não irão encontrar vestígios nas contas bancárias.
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Mesmo assim, Temer segue quebrando marcas e estabelecendo-se como referência. Já havia sido o primeiro presidente da República denunciado por crime comum no exercício do mandato. O pivô do processo, aliás, faz aniversário hoje. Foi em 7 de março de 2017 que Joesley Batista gravou o áudio com Temer e sacudiu a República. Agora, o emedebista se torna o primeiro presidente a ter sigilo bancário quebrado.

Não deixa de ser uma desmoralização, para ele, para o governo e para o País.

A IMINÊNCIA DA PRISÃO

A cada decisão da Justiça, reforça-se a certeza de que Lula caminha irremediavelmente para prisão. Claro, o Judiciário pode sempre surpreender. Mas a sequência de decisões unânimes deixam pouca margem para a defesa do ex-presidente. O próprio discurso de perseguição fica fragilizado. Porque primeiro era Sérgio Moro. Depois, a oitava turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Agora, a quinta turma do STJ.

Pode ser que haja um complô contra Lula? Pode. Mas, não seria de um juiz ou grupo de juízes. Seria quase do Judiciário todo, de Curitiba a Brasília, com um desvio para passar por Porto Alegre.

No caso do STJ, dos cinco ministros que decidiram contra o habeas corpus para Lula ontem, três foram indicados por Dilma Rousseff (PT), um por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e um pelo próprio Lula.

Isso não garante que o julgamento não tenha sido injusto. Nem proíbe a teoria da conspiração de ninguém. Torna, todavia, muito mais difícil explicar uma perseguição tão generalizada por instituições às quais o PT contribuiu para dar a forma atual.

 

O caso depende agora do Supremo, onde seis dos onze ministros foram indicados por Lula ou por Dilma.

Os indicados dos ex-presidentes petistas podem persegui-los? Podem. Faz sentido que o façam? Faz não.

 

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