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O que é o Huck?

2018-02-09 01:30:00
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Acandidatura de Luciano Huck à Presidência já nasceu, já morreu e agora ameaça ressuscitar. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tenta ser o parteiro. FHC assegurou seu lugar na história ao ser o ministro que conduziu à estabilidade econômica e o presidente que consolidou a transição pós-ditadura. Foi do binômio FHC/Lula (PSDB/PT) que se constituiu a estrutura de poder no Brasil por duas décadas. Agora que essa polarização desmoronou, FHC tenta ter algum protagonismo na construção de uma nova ordem.


A hipótese de Huck ser candidato é anterior à possibilidade de FHC abençoar a aventura. Como o apresentador da TV Globo surgiu nessa história?


Parece-me que o ponto de partida passa necessariamente pelo gosto por política e pela afinidade que ele sempre teve com políticos. E aí chama atenção como ele ainda é uma hipótese considerada uma vez que o político com o qual mais se dava é justamente um dos mais intensamente chamuscados na onda de escândalos: o senador Aécio Neves (PSDB).


Porém, a despeito das relações, Huck tem alguns atributos em falta entre os que são ou cogitam ser políticos: é popular, representa algo “diferente”. O “novo” de que tanto se fala.

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O que talvez seja mais preocupante é que, quem sabe, o homem do caldeirão seja viável como candidato. O programa dele é visto por muita gente, ele é inegavelmente querido. Vai que emplaca.


No ambiente político, não faltam alternativas ruins. Nesse sentido, Huck seria só mais um. Porém, o que ele tem de pior é o erro no que se procura. O apresentador surge como opção pelos atributos pessoais. Porém, o “novo” de que carece a política não é uma pessoa. Não é o personalismo. Pessoas ocupam cargos, mas são os grupos que governam. É preciso saber quem é o entorno e o projeto. No Ceará, o primeiro governo Tasso Jereissati (PSDB), com Sergio Machado ao seu lado, não foi igual aos seguintes. O primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com José Dirceu, Antonio Palocci e José Genoino, não foi igual ao segundo. O problema de Huck não é o que se sabe dele. É o que não se sabe. Qual seu projeto e qual seu grupo? O que ele representa?


O CHORO PELO DIREITO DE CORRER

Como acontece sempre que esse tipo de medida é adotada, muitos donos de carros em Fortaleza ficaram indignados com a redução da velocidade máxima na avenida Leste-Oeste para 50km/h. Logo aparecem as reclamações de que a Prefeitura quer arrecadar, “indústria da multa”, aquela coisa toda.

Primeiro: só é multado quem não age conforme as leis de trânsito. Segundo: governo sempre quer arrecadar. É com esse dinheiro que o poder público age. Das várias formas de atuar, poucas tão legítimas e corretas quanto inibir comportamento nocivo, perigoso, que tira centenas de vidas em Fortaleza todo ano.


Há quem reclame que 10 km/h não faz diferença. Há diversos estudos sobre isso, com resultados que variam, mas vão na mesma direção. Cito números do observatório de Segurança Viária da Espanha.


No caso de um atropelamento a 30km/h, ocorre o seguinte:

- 5% das vítimas morrem

- 65% saem feridos

- 30% escapam ilesos

 

Se o atropelamento for a 50 km/h:

- 45% morrem

- 55% ficam feridos

- 5% escapam ilesos

 

Já a 65 km/h:

- 85% morrem

- 15% ficam feridos

- Ninguém sai ileso

 

A conclusão é a seguinte: 50 km/h ainda representa risco considerável para pedestres, que são a maior parte da população. Mas, já reduz significativamente a quantidade de mortes. E aí, caro leitor, os 10 minutos, 20 minutos a mais ou a menos que você leva para se deslocar são irrelevantes, insignificantes, não são coisa nenhuma diante de uma postura que pode matar pessoas. Em uma única avenida de Fortaleza, matou 106 pessoas em uma década.


Para quem usa a avenida apenas como forma de ir de um lugar a outro, 106 é apenas um número. Para as famílias que perderam pessoas devido à pressa de alguém, é uma terrível tragédia a ser corrigida.


Gabrielle Zaranza

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