Conspiração WhatsApp 

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Conspiração WhatsApp

00:00 | 09/09/2018

Poucos minutos depois da confirmação de que Bolsonaro tinha sido esfaqueado em Juiz de Fora por Adélio Bispo de Oliveira, alguns grupos de WhatsApps de militares influentes da ativa e da reserva do Exército ferveram. Diferente das redes sociais de milhões de brasileiros civis, os ânimos realmente tiveram de ser contidos.


Teria virado avalanche, em segundos, o discurso de que a briga agora deveria ser revidada sem dar a outra face. Era tolerável, antes da facada, os xingamentos virtuais entre seguidores do capitão da reserva do Exército e os opositores.

 

Mas a agressão física, o furo no abdômen de Bolsonaro, soou quase como toque de corneta quando se avisa à tropa que a ordem de comando dará meia volta. "Uma imbecilidade", me disse um general. "Um tiro no pé".

 

Até engoliam, mesmo travando a garganta, o que o PSDB fez quando passou a repetir no Instagram, Facebook e zaps as cenas de Bolsonaro agredindo uma repórter e a deputada Maria do Rosário (PT).

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"Agora, radicalizar para a parte física?" Reclamou. Isso fortalece o nome dele, o brasileiro é solidário com quem sofre. Repetiu o oficial superior, incorporando Nelson Rodrigues.

 

Mas o militar, que descansava o feriado de 7 de setembro em uma praia, também ponderou. Nas conversas virtuais, principalmente entre os integrantes do grupo mais perto da campanha de Bolsonaro, a convicção era de que a facada não seria um ataque às Forças Armadas. E, sim, um afronta à campanha eleitoral, um doesto à política brasileira, a um candidato.

 

Sim, mesmo na reserva, Bolsonaro goza do espírito de corpo da caserna. Não tinha, antes da facada, a unanimidade. E não é certeza que terá. Porém, um sentimento de manada se espalhou a cada informação ou notícia falsa sobre o risco de morte dele.

 

Um grupo de generais, entre Brasília e Washington, também trocou mensagens pelo zap sobre o ocorrido em Juiz de Fora. Com a proposição, inclusive, de se emitir um alerta para quem viajasse de lá para o Brasil. O risco de perigo, passaria do nível 2 para 1 por causa da campanha eleitoral tensa. Ficou só na conversa.

 

Resolveram esperar. Segurar os mais exaltados e deixar para o bocudo do general Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, a tarefa de se debater com os opositores e acionar a metralhadora giratória de provocações contra o PT.

 

Nos quartéis do Exército quem manda é um coronel. O general, quase um cardeal, tem o comando hierárquico das unidades. Distante da ralação rotineira da tropa, tem de ter jogo de cintura para não perder os comandados em horas delicadas como a atual.

 

Por enquanto, me disse um general, os coronéis estão sob controle. Não haveria risco de uma sublevação do baixo clero. Há no meio militar, mais nas Forças Armadas, o que se chama de "disciplina consciente" e "lealdade com o chefe".

 

Explica-se. Baseando-se no alvoroço dos militares influentes no WhatsApp, há uma vontade de "aloprar". Mas teria ficado decido, entre os generais, que tudo permanece como está. Os oficiais de escalão inferior até têm vontade de mudar a ordem das coisas, mas por lealdade a alguns generais-de-opinião seguraram as esporas.

 

Disse-me assim outro general. Um quartel sublevado seria sufocado com eficiência. Daria trabalho, mas se apagaria o fogo que não chegaria nem a fogueira. Diferente quando puxado por um alto comando. Foi assim em Minas Gerais, em 1964, quando até o governo estadual cedeu as polícias à 4ª Região Militar do general Olímpio Mourão Filho.

 

Mourão Filho, a partir da mesma Juiz de Fora e com apoio de empresários e políticos, mandou às ruas 6 mil homens. Marcharam em direção ao então estado da Guanabara para derrubar Jango. E deu no que deu, 21 anos de ditadura.

 

Mas uma coisa é 1964 e outra coisa é a democracia das coisas, pelos zaps, e em 2018...

 

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