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Questão polêmica sobre Pajubá no Enem tem DNA cearense

01:30 | 08/11/2018

Divulgação
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Não foram poucas as questões polêmicas na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicada no último domingo. No entanto uma questão, especificamente, chamou mais atenção que as outras e, ao mesmo tempo em que incomodou muita gente (incluindo o presidente eleito), recebeu elogios de vários segmentos da sociedade. Trata-se da pergunta que aborda o Pajubá, "dialeto secreto" utilizado por gays e travestis.

O que pouca gente sabe é que a tal questão controversa tem DNA cearense. A matéria que serve de base para a pergunta, publicada em um portal de notícias do Mato Grosso do Sul, foi pautada e redigida por um jornalista nascido no Crato e que ainda menino veio morar em Fortaleza.

Guilherme Cavalcante é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará e começou sua carreira profissional no O POVO. Há quase uma década, decidiu se mudar para Campo Grande (MS) onde mora e trabalha até hoje. Nesta entrevista exclusiva para Cena G, ele conta como surgiu a ideia da pauta e fala da repercussão da pergunta no Enem.

O POVO - Como você soube que sua matéria havia inspirado uma das questões deste Enem?

Guilherme Cavalcante - Eram umas 16 horas do domingo. Eu estava no plantão e uma das fontes dessa matéria, que eu escrevi ano passado, me ligou eufórica. Tinha acabado de sair da prova e disse que a matéria havia sido citada numa das questões da prova de linguagens. Só acreditei quando vi.

OP - Qual foi a sua reação?

Guilherme - Para falar a verdade ainda estou assimilando, meio sem saber o que pensar, porque tem muita coisa acontecendo. Fiquei feliz, claro! Fui parabenizado por muita gente do Brasil inteiro. Trabalho num pequeno jornal online da periferia desse País, jamais poderia imaginar que isso aconteceria, principalmente porque o tema da matéria é algo bem específico.

OP - Como surgiu a ideia de escrever uma matéria sobre Pajubá?

Guilherme - Na época eu escrevia para a editoria de Variedades e estávamos no Mês do Orgulho LGBT. Fui publicando uma matéria temática por semana e a do Pajubá foi uma delas. Mas, eu já tinha escrito um artigo científico sobre isso em 2013, durante o mestrado, e era amigo do Vitor Angelo, que já faleceu (o autor do Aurélia). É um assunto que tenho muita afinidade.

OP - O que achou da inclusão de uma questão sobre Pajubá na prova do Enem?

Guilherme - Foi sensacional, porque é muito raro um tema de culturas subalternas emergir dessa forma e ganhar tanta visibilidade. Quando fui ver as primeiras reações, li que teve gente que "sorriu" quando se deparou com a questão. Fiquei imaginando a bicha de periferia, a travesti, enfim, os LGBT que estavam fazendo a prova. Ali era um recado, que aquela prova foi feita para elas, para elas entenderem que têm direito à universidade. Representatividade importa muito.

OP - Por que esta questão repercutiu tanto?

Guilherme - Porque o brasileiro é canalha, basicamente. Não era necessário saber um verbete sequer de Pajubá para responder à questão, aquilo foi só um exemplo. Mas foi importante. Ficou claro que nos querem de volta no armário, então qualquer manifestação cultural da nossa comunidade vai ser rechaçada. Isso foi uma amostra grátis dos próximos anos e talvez tenha sido o último Enem "subversivo", digamos assim. Acho que esse tipo de repercussão é um bom termômetro das nossas lutas e ficou claro que não dá para abandonar a trincheira nesse momento.

OP - Por que você trocou Fortaleza por Campo Grande?

Guilherme - Vim para cá em janeiro de 2009, porque conheci meu ex-namorado e fez sentido, na época, dar outro start na minha carreira aqui. Mas não tenho nenhum arrependimento, vivo muito bem nessa cidade. Além disso, trouxe muito do meu aprendizado e acho que isso me permitiu ter um perfil um pouco diferente, pois gosto da etnografia como método de apuração jornalística.

OP - Como foi sua trajetória profissional?

Guilherme - Eu sou formado pela UFC. Na imprensa, comecei no Vida & Arte, do O POVO, onde permaneci até 2008. Foi uma das experiências mais importantes, porque aprendi como funciona a cobertura cultural. Depois que saí do Ceará, atuei em agências de comunicação e fui convidado para trabalhar na assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande. Depois, trabalhei por um ano em uma revista online muito bacana, a Semana ON, que me deu muita liberdade de experimentar. Depois fui para o mestrado em comunicação na UFMS e passei mais uma temporada na Prefeitura. Aí recebi o convite para o jornal Midiamax, que é onde estou atualmente.

 

Giro G 

Neste sábado, dia 10, a Asssociação Transmasculina do Ceará (Atransce) realiza mais um Encontrão de Homens Trans, no Parque do Cocó, a partir das 9h30min. Esta edição homenageará João Nery, um dos mais combativos militantes da causa trans. /// A cantora Daniela Mercury está processando o deputado baiano Sargento Isidorio por crime contra a honra. O parlamentar publicou um vídeo com injúrias à artista, depois que ela protestou contra a censura a um espetáculo no Festival de Inverno de Garanhuns. No Blog do Maranhão é possível assistir tanto ao vídeo do protesto da cantora quanto ao das ofensas do deputado. /// Realizada pela revista Istoé Gente, a lista das 50 mulheres mais sexies do Brasil em 2018 traz a cantora Pabllo Vittar e a top model Lea T entre as indicadas./// O democrata Jared Polis se tornou o primeiro governador abertamente gay dos Estados Unidos. Ele foi eleito para governar o estado do Colorado, após derrotar o republicano Walker Stapleton. /// Emocionante a campanha Trabalho de graça no seu casamento LGBT até o final do ano que ganhou as redes sociais do País inteiro nesta semana. Lindo ver que a solidariedade sobrevive em tempos tão sombrios.

 

Ouça essa! 

"Eu acho que eles estão doidos! Sinceramente, acho que quem fez essa seleção foi a minha mãe e por isso que eu estou na lista dos mais bonitos, dos mais sexies. Só pode!"

Thammy Miranda, ator, comentando sua indicação ao título de Homem Mais Sexy do Brasil, promovido pela revista Istoé Gente. Ele é o único homem trans na disputa e está em 15º lugar entre os 50 indicados. A votação segue até o dia 30 deste mês no site da revista.

 

FIMDE

AS FESTAS DESTE FINAL DE SEMANA 

Haus 

 

AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, a boate Haus (Almirante Tamandaré, 19, no entorno do Centro Dragão do Mar) recebe a festa ArquiTequila de Los Muertos, a partir das 23hs. O evento é a calourada oficial da turma de Arquitetura e Urbanismo da Unifor. No comando das pick-ups, os DJs Bubu, Marcos BDR e Murilo. Plus: Concursos do Beijo Monstruoso e de Melhor Fantasia. Ingresso: R$ 20 (duplo, antecipado) e R$ 15 (até 1h, com nome na lista). No sábado, 10, a boate promove a festa Não para não, Bday Tributo à Pabllo, a partir das 23hs. A balada celebra o aniversário da cantora Pabllo Vittar. No line-up, os DJs Lia Tavares, Marcos BDR e Victor Wesley (Fica, vai ter Pop) Live da Mulher Barbada. Plus: drinques K.O. e Corpo Sensual por R$ 9,99 Ache as Pabllo's escondidas e ganhe drinques super lista especial camarote para aniversariantes. Ingresso: R$ 20 (até 1h, com nome na lista) e R$ 30 (na hora).

LEVEL

AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, a boate Level (Rua Dragão do Mar, 218, Praia de Iracema) promove o Baile da Gaiola, a partir das 23hs. No comando das pick-ups, os DJs David Arthenio, David Skylinne, Emmanuel Costta, Herminio Sifi e Luiz Neto. Plus: rodadas de bebidas vodca clonada. Ingresso: R$ 10 (com lista Vip) e R$ 15. No sábado, 10, a casa realiza a festa Credo, que delícia!, a partir das 23hs. Os DJs Allan Christian, Fabio Balack, Italo Bergman, Karla Prado, Luiz Neto, Ph Archibald, Sergio Klisman, Thales Sales, Amabilis Ohanna, Ferrucio e Lourran Carneiro fazem o line-up . Plus: rodadas de vinho. Ingresso: R$ 15 (com lista Vip até 0h), R$ 25 (sem lista Vip) e R$ 80 (acesso ao camarote com 12 fichas para bebidas). No domingo, 11, rola mais um Domingão da Level, a partir das 22hs. No comando das pick-ups, os DJs Lourran Carneiro, Amabilis Ohanna e Marcelo Fort. No palco, apresentação de Kyara Hilton e shows com Ketlen Neg D'Ryeellon e Monick Skaranze. Plus: cardápio e bilheteria com preço promocional. Ingresso: R$ 10 (até 23h30min) e R$ 15 (após 23h30min).

DRAGON CLUB

NESTE DOMINGO, 11, o Dragon Health Club (Rua Almirante Jaceguai, 239 - Praia de Iracema, na ladeira do Centro Dragão do Mar) recebe o concurso Miss Gay Tancredo Neves 2018, a partir das 20hs. Além do desfile, a noite terá show de grande elenco artístico, DJ Ad Kenje no comando das pick-ups e gogo show de Johnny Bravo. Hostess: Tatiana Hilux. Todos os equipamentos do Club estarão funcionando normalmente a partir das 16hs. Ingresso: R$ 45 e R$ 35 (estudante, homens acima de 60 anos e pessoas com nome na lista). Acesso limitado ao bar: R$ 5.

 

 

ÉMERSON MARANHãO