O futuro da tropa Bolsonaro no Ceará 

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O futuro da tropa Bolsonaro no Ceará

01:30 | 05/11/2018
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Quatro políticos que saem da eleição deste ano como alguns dos principais nomes da oposição no Ceará, os deputados federais Capitão Wagner (Pros) e Heitor Freire (PSL), o deputado estadual André Fernandes (PSL) e o senador Luís Eduardo Girão (Pros) devem muito da nova força - em maior ou menor grau - à vitória de Jair Bolsonaro (PSL) ao Planalto. Unidos em torno do novo presidente, a "tropa" vê perspectiva de crescimento no Estado que os permite sonhar até com vôos mais altos nas próximas eleições.

 

Tudo natural, não fosse um detalhe: Fora o antipetismo e a ligação com Bolsonaro, os quatro possuem muito pouco - quase nada - em comum. Próxima disputa à vista, a eleição para a Prefeitura de Fortaleza já desponta como primeiro "teste" para o grupo. A preço de hoje, parece óbvia a candidatura pela oposição de Capitão Wagner - já conhecido pelo eleitorado e deputado federal mais votado na Capital. A indicação do militar, no entanto, dependeria de Freire, que já admite disputar a vaga se isso for do interesse de Bolsonaro. Resta saber se Fernandes ou Girão, que saíram grandes das urnas, têm a mesma ambição.

 

Além dos interesses eleitorais, restam ainda uma série de possíveis incompatibilidades entre os tenentes de Bolsonaro no Ceará. Enquanto Freire desponta como favorito ao posto de braço-direito do presidente eleito no Ceará, Wagner já possui agenda consolidada representando interesses da categoria policial no Estado. Girão, por sua vez, possui agenda ideológica mais "branda" que, ao fazer concessões como ser favorável à adoção de crianças por casais homossexuais, pode bater de frente com aliados mais radicais de Bolsonaro.

 

Historicamente, alianças no Ceará têm sido eternas até o primeiro choque de interesses eleitorais. A tradição é especialmente verdade entre candidatos eleitos sobre pauta da segurança, que quase sempre terminam os mandatos roubando bases entre si (o próprio Wagner, até pouco aliado de Eunício Oliveira e de Cabo Sabino, que o diga). Recém-eleitos e no alto da onda Bolsonaro, os quatro líderes do novo presidente têm poucas razões de entrarem em conflito no atual momento. O casamento, no entanto, sempre pode acabar.

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E agora, PT Ceará?

Só lembrando: No mês passado, após duras críticas e cobrança por mea-culpa feito por Cid Gomes (PDT) em evento pró-Haddad (PT) no Ceará, setores do PT cearense defenderam uma "reavaliação" da aliança entre petistas e o grupo Ferreira Gomes no Ceará. O próprio José Guimarães, líder máximo da sigla, disse estar "na hora mesmo de fazermos um balanço desde 2006 e, se for o caminho da separação, que façamos com respeito mútuo".

 

Não é a primeira vez que Guimarães defende este tipo de discussão, tendo também defendido uma "avaliação" da aliança com Cid e Ciro em 2012, após derrota de Luizianne Lins (PT) para Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza. E agora, será que desta vez acontece mesmo?

 

O curioso movimento de Sarto

Chama a atenção inusitados movimentos adotados pelo deputado Dr. Sarto (PDT) com relação a disputas para o comando de Casas Legislativas do Ceará. Atualmente, o deputado tem se colocado como candidato à sucessão de Zezinho Albuquerque (PDT) na Assembleia.

 

Nas últimas semanas, no entanto, liberou dois indicados seus na Prefeitura de Fortaleza, os vereadores pedetistas Elpídio Nogueira (irmão de Sarto) e Antônio Henrique, que entregaram secretarias de RC para voltar ao Legislativo. A preço de hoje, os dois se colocam como candidatos ao comando da Câmara. Seja qual for o real interesse de Sarto, o deputado fez questão de botar as cartas na mesa.

 

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