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Salvador é exemplo para o Brasil

A capital baiana foi a única cidade brasileira a responder positivamente ao desafio da ONU de reduzir pela metade os óbitos de trânsito

01:30 | 06/12/2018

GettyImages/g01xm
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Exceção entre cidades brasileiras, Salvador atingiu antes do prazo estabelecido pela ONU a meta de reduzir 50% de mortes no trânsito no decênio 2011-2020. A Transalvador - autarquia municipal encarregada de gerir o trânsito na cidade - adotou até o conceito de "traffic calming", um pacote de medidas para reduzir o tráfego e o número de acidentes em determinadas vias.

 

Desafio

 

A resposta brasileira ao desafio da ONU (Década de Ações pela Segurança do Trânsito) foi o lançamento pelo Ministério da Saúde do Projeto Vida no Trânsito (PVT), voltado para a vigilância e prevenção de lesões e mortes no trânsito e promoção da saúde. O foco é intervir em dois fatores de riscos: dirigir após o consumo de álcool, inobservância da sinalização e velocidade inadequada. 

 

Além de outros fatores ou grupos de vítimas, principalmente os acidentes que envolvem motociclistas.

 

O projeto brasileiro tem parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas, aquela do Mais Médicos?), um braço da ONU e da Organização Mundial de Saúde (OMS). A iniciativa conta com apoio da Bloomberg Philantropies e denominada Road Safety in Ten Countries (Segurança Rodoviária em Dez Países) sob a coordenação da OMS e diversas outras entidades internacionais de segurança de trânsito. Os dez países focados (Brasil, Russia, China, Turquia, Egito, Vietnã, Camboja, India, Quênia e México) respondem por cerca de 600 mil mortes, ou 62% de todos os óbitos no trânsito por ano no mundo. 

 

Além disso, as estatísticas revelam também que 90% das mortes ocorrem em países de média e baixa renda, que detem menos da metade da frota mundial.

 

PVT em Salvador

 

O projeto foi implantado em 2011 nas cidades de Belo Horizonte/MG, Campo Grande/MS, Curitiba/PR, Palmas/TO e Teresina/PI.

 

Em 2013 foi expandido para Salvador, demais capitais e municípios com mais de um milhão de habitantes. Na capital baiana, o número de acidentes de trânsito com mortes foi reduzido de 239 em 2013 para 116 em 2017.

 

O PVT envolve diversos setores sociais, entre eles a saúde, medicina do trabalho, educação para o trânsito e transportes terrestres. Entre as estratégias adotadas pela Transalvador estão o fortalecimento da engenharia de trânsito, projetos, ações para modernização das vias e sua sinalização. A autarquia deu como exemplo a av. Suburbana: depois das intervenções, o número de acidentes fatais caiu de 17 em 2015 para apenas dois, neste ano. 

 

Outros bairros receberam pacote de medidas semelhantes que inclui redução da velocidade dos automóveis e aumento do espaço para pedestres e ciclistas.

 

A malha viária da cidade já alcança 225 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Desse número, 149,24 km foram implantados pela Prefeitura de Salvador, desde 2013. A meta da Transalvador é zerar o número de óbitos no trânsito.

 

Na semana passada, uma equipe da Opas esteve em Salvador para gravar entrevistas e imagens que serão incorporadas a um documentário com os resultados do programa em vários países. A capital baiana foi a única cidade do Brasil a participar do filme.

 

"Os resultados de Salvador nos animam. É um lugar que não somente conseguiu superar os problemas como insistiu nas ações para promover um trânsito mais seguro. O trabalho que é feito pelo grupo do PVT aqui na cidade é um exemplo", afirma Victor Pavarino, consultor de segurança viária da Opas/OMS.

 

No Brasil

 

Os resultados de Salvador não se repetiram em outras cidades brasileiras. 

 

Houve redução de óbitos no trânsito em várias delas, mas com percentuais muito inferiores aos obtidos na capital baiana, de 51% em cinco anos de intervenções em parte das vias públicas. Apesar de o projeto ser de âmbito internacional e promovido no país pelo Ministério da Saúde, a principal responsabilidade pela segurança e prevenção de acidentes é do município, responsável pela intervenção na malha de trânsito das cidades, da engenharia de projetos, educação, e sinalização adequadas.

BORIS FELDMAN