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Conto do vigário

esportes

01:30 | 12/01/2019

- BEIROU a comédia pastelão essa história da pretensa transferência do goleiro Everson, ora pro Grêmio, ora pro Santos. Nenhuma coisa, nem a outra. Ou seja, tudo voltou a ser como era antes.

 

- SE Everson sonhou alto com o futebol gaúcho ou, em segunda hipótese, com o futebol paulista, acabou acordando mesmo no Ceará, onde pode, ou deve mesmo, continuar durante esta temporada.

 

- SÃO tantos os episódios pitorescos, tantas versões desencontradas, tantas as propostas inexistentes que o conto do vigário perde longe e de goleada.

 

- ONDE então está a verdade em tudo isso? Que tal no fundo do poço que não  tem fundo? Que o interesse dos dois clubes aconteceu aí é vero. Nunca, porém da forma como foi contada, especialmente por empresários envolvidos na transação.

 

- PIOR foi encherem a cabeça do jogador a ponto de responsabilizar a inflexibilidade do presidente Robinson de Castro em não liberá-lo pra nenhum dos interessados. Deslavada mentira.

 

- COMO não liberar Everson, desde que a multa contratual fosse paga como manda as regras do jogo. Em qualquer transação envolvendo clube-jogador há sempre multa. Se for paga, leva. Se não for entra na interminável ciranda das negociações.

 

- TANTO o Grêmio como Santos queriam o goleiro. Ocorre que as propostas oferecidas, de tão ridículas, o Ceará preferiu desconhecê-las. Para se ter simples ideia, uma delas chegou a oferecer R$ 1 milhão, assim mesmo dividido em cinco prestações de R$ 200 mil. Robinson preferiu encerrar a conversa.

 

- A OUTRA sequer carece divulgar, ainda mais ridícula. Nesse ínterim, entra a figura do empresário pra fazer a cabeça do jogador para forçar a barra junto à presidência do clube. Não pegou e não colou.

 

PORTAS FECHADAS

 

- ROBINSON, de tanto vai e vem de conversa fiada, resolveu tomar atitude drástica, fechando as portas pra empresário, seja lá quem for a partir de agora, a não ser, claro, se a proposta for séria e concreta.

 

- EM todo este episódio quem saiu chamuscado foi o jogador. Ao faltar dois dias de treinos - não vem ao caso se em represália ou não - foi mandado treinar a parte, embora já reintegrado. Não se sabe como está sua cabeça diante de toda situação. Se mudou de empresário fez bem, embora todos eles, a exemplo dos cartolas, calça 40. Com as exceções da regra, claro.

 

BECO SEM SAÍDA

 

- PRA restabelecer a paz abalada na Barra do Ceará por conta das últimas derrotas inesperadas do Ferroviário, a situação do técnico Marcelo Vilar entrou naquela de só se salvará em caso de vitória amanhã sobre o Guarani-J, dentro do Romeirão.

 

- QUALQUER tropeço, incluso empate, a porta da rua estará escancarada. Vilar, calejado, sabe disso melhor que ninguém.

 

- NUM campeonato onde o Ferrão aparecia como franco favorito pra ser 

vencedor desta primeira fase, os dois tropeços soaram como duas hecatombes.

 

- APARENTEMENTE o Guarani é uma equipe fraca, formada às pressas. Da mesma maneira como fracos seriam Atlético-CE e o outro Guarany, este de Sobral. Todos viram o que aconteceu.

 

- RESUMO da ópera. Ou o Ferroviário vencer o rubro-negro de Juazeiro ou corre o risco até mesmo de ser rebaixado. Entre a cruz do céu e o caldeirão do inferno, não há opção pro Marcelo Vilar. Nem mesmo o purgatório o salvaria.

 

AMOSTRA GRÁTIS

 

- FINALMENTE o Fortaleza, pra consumo externo, vai mostrar a sua cara, do que tem em casa, num match-treino hoje em Maracanaú. Precisava ser tão longe?

 

- NÃO há distância pro torcedor ansioso pra ver a nova cara do time do Ceni. Por se tratar de uma amostra grátis, não deve ser ainda a que ele tanto sonha, embora se trate de um esboço do que tem mão e do que pode ainda acontecer.

 

- TORCEDOR que se dispuser a se arriscar ir tão longe os portões estarão abertos. Mesmo pra matar a curiosidade. Detalhe - match-treino chega a ser pior que amistoso.

 

BOCA DE FORNO

 

- PRÓXIMO reforço à vista pro Fortaleza, consta ser o uruguaio Santiago Romero. Trata-se de um volante. Mais um dentre tantos que já pululam no Pici. Quem o indicou e Ceni avalizou pouco interessa. Será que esqueceram de informar que, por essas bandas, jogador sul-americano nunca deu no pé? Pelo próprio Tricolor já passaram 13. Nenhum emplacou. Deste mesmo mal padece o Ceará. Os dois últimos, colombianos, passaram mais tempo no DM do que dentro de campo.

ALAN NETO