Alan Neto: Limites da memória
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Alan Neto: Limites da memória

2018-12-18 01:30:00

- NEM UM prodigioso memorialista alcançaria toda a história dos 100 anos de Ceará e Fortaleza, quanto mais a minha que, até poderia, tantas coisas pra contar. Me perco em datas, anos, detalhes preciosos. Sempre repeti que minha memória é trêfega, logo, traiçoeira.

 

- ATÉ onde o limite desta memória chega, pequenos fatos marcantes posso instilar, sem necessidade de ser tão preciso. Não sou gênio, nem nerd. Apenas um jornalista que sabe onde as andorinhas dormem e a coruja fica de olho aberto a noite toda. Porém, dou graças a Deus, sem amarras. Logo, livre e solto pra criticar quando precisar e elogiar pra não me tornar tão chato, acre e amargo.

 

DE TIRAR O FÔLEGO

 

- GOLS inesquecíveis? Quem pode esquecer o do Cassiano, tirando pão do penta da boca do Ceará aos 47, número que virou símbolo tricolor.

 

- TIQUINHO, no tetra de ouro do Ceará, minuto final, logo ele que se fez 10 gols na sua carreira quando muito.

 

- EPANOR Vitor, 44 minutos, bi do Ceará, contra Fortaleza, PV até as tampas. Bateu falta que antes de entrar resvalou nas costas de Renato deixando goleiro Cícero órfão.

 

- ANTOLÓGICO gol de Mirandinha, arrancada fulminante, passando na corrida por dois zagueiros alvinegros. Dos seus pés saiu um míssil que nenhum goleiro do mundo pegaria.

 

- MAIOR artilheiro de um clássico, Rinaldo, o raio, quatro num Clássico-Rei, goleada tricolor. Aliás, apelido "Homem-Raio" foi dado pelo inoxidável Júlio Sales, até hoje na ativa cada vez melhor, qual vinho.

 

DUELOS DE ÍDOLOS

 

- SÓ a presença de Gildo, de um lado, Croinha, do outro, dois grandes ídolos e goleadores, seria bastante pra encher os clássicos. Torcedor comparecia só pra vê-los em ação, entre apostadores um prato cheio.

 

- ESTILOS diferentes, faro de gol semelhantes. Gildo mais clássico, aliás, veio de contrapeso numa transação com o Santa Cruz, com problemas no joelho que anos mais tarde se agravaram levando-o a uma cadeira de rodas, últimos dias de vida.

 

- CROINHA mal falava, fugia das entrevistas, descoberto por Moésio Gomes no Maranhão após três anos como artilheiro. Exigiu sua vinda com alegação fulminante - se ele é artilheiro lá, será aqui também. Bingo!

 

- MANIA de Croinha. Todo clássico, em jejum, comia duas mangas verdes, enquanto Gildo, cadeira 9 do ônibus, que o consagrou na camisa, privilégio dele, tão supersticioso era. E quem não é?

 

EMPATES SUPERARAM

 

- MAIOR prova do equilíbrio de Ceará e Fortaleza, está provada no número dos jogos oficiais (201), maioria 0 a 0. Acima das vitórias dum ou do outro.

 

- DETALHE relevante. Nas partidas amistosas ou oficiais, número de vitórias do Ceará sempre superou a do maior rival. Os números estão lá e não mentem.

 

ORIGEM DA RIVALIDADE

 

- ANTES do Fortaleza era o Maguary maior rival do Ceará. Fortaleza, quarta força atrás até do Ferroviário. Quando o cintanegrino Maguary extinguiu-se toda sua torcida debandou pro Fortaleza, não Ferroviário. A partir daí surgiu a rivalidade entre os dois que espero seja eterna. Pois futebol sem rivalidade fica parecido com jogo de xadrez.

 

PRESOS NA RETINA

 

... TIME de ouro do Fortaleza montado por Ney Rebouças, dos gloriosos Luisinho das Arábias e Júlio César, o entortador... /// PEDRO Basílio, que jogou pelos dois lados, maior zagueiro que meus olhos já viram... /// GILDO, maior ídolo do Ceará, dispensado por um presidente medíocre, foi vestir camisa do Calouros. Estreia contra o Ceará, fez um golaço. Torcida alvinegra no PV, o aplaudiu de pé freneticamente.../// GOLS antológicos de Clodoaldo, driblando curto, em velocidade, cópia fiel do Messi... /// MOZARZINHO, o craque maior do futebol cearense, quando descoberto por Gradim pra jogar enfiado na área, aí seu futebol brilhou ainda mais. Quando foi pro Flu, técnico Zezé Moreira telefonou pro seu pai, coronel Mozart - só o senhor vindo aqui pra dar um freio nas noitadas do seu filho, caso contrário perderá vez de ir pra seleção.../// MIL histórias sem fim que só caberiam num almanaque de mil páginas.

ALAN NETO

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