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100 anos da faculdade de Agronomia: pioneirismo e inovação

Curso de Agronomia da UFC completa 100 anos contribuindo para a ciência, economia e história do Ceará

01:30 | 02/04/2018
SÔNIA PINHEIRO: Agronomia foi pioneira em acordos internacionais FOTO MAURI MELO
SÔNIA PINHEIRO: Agronomia foi pioneira em acordos internacionais FOTO MAURI MELO

Fundado em 30 de março de 1918, o curso de Agronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), inicialmente denominado Escola de Agronomia, completa 100 anos de atuação. Marcado pelo pioneirismo, o curso realizou contribuições para a pesquisa, buscando desenvolver a economia agrícola e fomentar outros cursos de graduação. Juntamente com a Faculdade de Direito e de Farmácia, foi a base de criação da UFC.

A Escola de Agronomia tornou-se Centro de Ciências Agrárias (CCA) em 1973, que atualmente reúne oito departamentos, seis graduações, nove mestrados acadêmicos, um mestrado profissional e sete doutorados.

A Escola de Agronomia foi criada por um grupo de intelectuais, entre eles o naturalista Francisco Dias da Rocha, começando como entidade particular em 1918, sendo estadualizada por decreto em 1935 e federalizada em 1941. “Foi uma época áurea de recursos, quando consolidou a pesquisa”, destaca Sônia Pinheiro, diretora do CCA.

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Em seguida se deu a internacionalização da entidade, em 1963, a partir da assinatura do Programa de Educação Agrícola, convênio envolvendo a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o Ministério da Educação (MEC) , a UFC e a Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid). A Agronomia foi pioneira no acordo internacional que permitiu a capacitação de servidores.

A partir daí foi intensificada a criação dos laboratórios de pesquisa e os cursos de pós-graduação da universidade. Foi criada a Estação de Biologia Marinha, hoje Laboratório de Ciências do Mar (Labomar) e a Estação de Meteorologia. “Durante muito tempo no Ceará, os únicos dados de meteorologia eram da nossa estação. Hoje existe a Funceme”, explica.

Para a diretora, uma das grandes contribuições do curso foi a formação de engenheiros agrônomos para todo o Norte e Nordeste, impulsionando também o segmento agropecuário da região. Em uma época em que estes engenheiros atuavam em diversas áreas, o curso de Agronomia fortaleceu a formação de outros profissionais, como químicos, biólogos, matemáticos, engenheiros, geógrafos e geólogos.

Na visão do professor Marcelo Guimarães, atual coordenador do curso de Agronomia, o centenário é um marco para o Ceará. “É um curso que contribui para o desenvolvimento da agricultura do Estado nos diversos setores”. Devido à baixa disponibilidade de água, a região apresenta problemas de salinidade no solo. Nesse sentido, a pesquisa e extensão do curso têm desenvolvido projetos e transferido informações para as comunidades lidarem com este cenário.

Além disso, muitos alunos vão a campo desenvolver atividades para melhoria agrícola e produção animal de ovinos e caprinos que se adaptem a condições do semiárido. “Temos tentado dar esse enfoque no curso. Com a mudança pedagógica esse ano, o nosso deve ser o primeiro curso no Brasil que vai incorporar os 10% de curricularização da extensão”.

A curricularização significa a inserção de ações de extensão na formação do estudante como componente curricular obrigatório. “A formação dos nossos alunos vai ser mais humanizada e mais voltada para a parte prática”, avalia Marcelo. A mudança deve aumentar a vivência do aluno com o produtor. “Isso é bom porque ele (aluno) aprende a falar a língua do produtor”.

ESTUDANTE

Rodrigo Eduardo, 28, é estudante de Agronomia e voluntário no Orquidário da UFC desde 2016, onde aduba e propaga mudas, ministra palestras em oficinas e apresenta o projeto para visitantes. Em julho deste ano, ele defende o trabalho de conclusão de curso abordando teste de salinidade em cactáceas.

 

CIÊNCIAS AGRÁRIAS

6 cursos de graduação

9 programas de pós-graduação

72 patentes depositadas (até 2017)

70 projetos de extensão ativos (2016)

42 grupos de pesquisa ativos

5.134 engenheiros agrônomos formados (até 2017)

2.587 mestres formados (até 2017)

419 doutores formados (até 2017)

 

CRISTINA FONTENELE