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As possibilidades do sexo tântrico

| TERAPIA CORPORAL | Baseado em ensinamentos indianos, o tantra trata de vários aspectos da vida. Algumas linhas compreendem a energia sexual como força motriz de mudanças

01:30 | 12/03/2018

Orgasmos de 15, 30 minutos para mulheres. Quatro horas ininterruptas mantendo a ereção em uma relação sexual. Isso é o que promete - e pelos relatos de quem já testou, cumpre - a prática do sexo tântrico. Baseado em um corrente indiana e trazida ao Ocidente como uma terapia corporal que trabalha os chakras e, principalmente, a energia sexual, o tantra é amplo, mas muitas vezes é envolto em preconceitos.

Filósofa, escritora e terapeuta tântrica, Carol Teixeira aponta que o tantra “vai muito além do sexo”. “É uma maneira de se relacionar com o mundo. Poderia defini-lo como uma filosofia comportamental que é sensorial, matriarcal e desrepressora, mas por ser prática e sensorial é quase impossível passar seu sentido através de palavras. É preciso sentir”, conta.

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Assim também entende o terapeuta tântrico do centro de meditação Osheanic, Dhyan Avinash. Segundo ele, existem várias linhas e, na que segue, o tantra é uma forma de se viver a vida. “O sexo é um dos aspectos e nessa visão do tantra, o sexo faz parte da natureza das coisas, ele não é negado, mas não é destino e nem o objetivo”, conta. A linha é baseada nos ensinamentos do mestre indiano Osho.

No Brasil, uma outra linha, também baseada no Osho, foi criada pelo terapeuta Deva Nishok. Bastante difundido, o método do Centro Metamorforse desenvolveu técnicas de massagem tântrica para serem vivenciadas individualmente, como uma terapia, ou por casais - em um workshop feito durante três dias, que pretende, entre outras coisas, levar a uma conexão maior dos cônjuges. Adeptos dessa linha, os terapeutas tântricos Magna Prem e Rodrigo Francioli são um dos braços do Centro Metamorfose em Fortaleza.

Para exemplificar como o tantra, a partir da movimentação de energia sexual, toca outros aspectos da vida, Francioli fala da própria experiência. Ele era, até três anos atrás, um gerente comercial. Em um aniversário de casamento, Magna lhe deu uma sessão de terapia tântrica. “O intuito era que eu relaxasse. A gente tinha uma vida sexual bem resolvida, mas foi algo que eu nunca havia experimentado. Despertou algo em mim”, relembra.

Em três meses, ele largou o emprego e embarcou em uma formação tântrica. Pouco depois, vendo as mudanças no marido, Magna também procurou a formação. “O tantra te leva para sua essência, para sua verdade. Você começa a enxergar a pessoa que você realmente é”, conta Magna Prem.

As técnicas da terapia, feita por profissionais e sem conotação sexual, podem ser aprendidas e usadas com parceiros. E é aí que o sexo tântrico se diferencia. “O sexo convencional geralmente é bem mais ansioso, tem muita performance e movimentos mais rápidos. O sexo tântrico valoriza a conexão mais lenta, através de todos os sentidos. O cheiro, o olhar, o toque, a respiração, tudo leva a uma experiência mais profunda. E, claro, as técnicas tântricas para tocar o outro também levam a um prazer muito mais intenso”, detalha a terapeuta Carol Teixeira.

DOMITILA ANDRADE