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Os caminhos para a cura da aids

Enquanto medicamentos possibilitam viver bem com a aids, a epidemia avança entre grupos de risco e os mais jovens

26/11/2017 00:00:00
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Foi no dia do aniversário de 19 anos que Emerson Correia, 28, descobriu a sorologia positiva para o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Passados nove anos, ele conta que, apesar da dificuldade da adesão aos medicamentos, entendeu que teria a vida inteira pela frente. “Eu fui percebendo que a informação iria me salvar. Iria me ajudar tanto a me aceitar, como a ajudar outras pessoas, se eu falasse abertamente da minha sorologia. Eu poderia me esconder, mas escolhi me mostrar para viver”, decidiu.


Ainda há muitos caminhos a serem percorridos em busca da cura da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) — causada pelo HIV.

Mas, desde os anos 2000, o mundo passa por avanço significativo nas descobertas em torno de tratamento e prevenção. Junto às pesquisas, a superação do preconceito e a difusão da informação são importantes instrumentos.


Vamos então falar de possibilidades. Com o avanço do tratamento, nem todas as pessoas com HIV desenvolvem a aids. A aids é o estágio avançado da presença do vírus no corpo. Além disso, estudos recentes mostram que, desde 2008, pessoas com HIV que tomam a medicação, têm expectativa de vida de 78 anos. O Ministério da Saúde (MS) já reconhece que pessoas com carga viral indetectável não transmitem o vírus.


O último boletim epidemiológico do MS revela que atualmente 827 mil pessoas vivem com HIV e aids no Brasil. Atualmente, a epidemia no Brasil é considerada estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos a cada 100 mil habitantes, com cerca de 41,1 mil casos novos ao ano. A epidemia de aids tem se concentrado, principalmente, entre populações vulneráveis e nos mais jovens.


De acordo com o infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará, Guilherme Henn, o Brasil aderiu à meta recomendada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). A partir da meta 90-90-90 até 2020, busca-se que 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; que destas, 90% estejam em tratamento; e que deste grupo, 90% tenha carga viral indetectável.


O médico afirma que o gargalo ainda é convencer as pessoas a serem testadas e diagnosticadas precocemente. Segundo ele, a interiorização da doença preocupa, já que, mesmo com o acesso ao tratamento garantido por lei, a distribuição ainda não é tão capilarizada.


A difusão de outras formas de prevenção também é uma medida urgente. A chamada política de prevenção combinada inclui distribuição de preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante, ações educativas e ampliação de acesso a novas tecnologias, como testagem rápida (incluindo fluido oral). Uma pessoa que supõe ter se exposto ao vírus, se buscar apoio em menos de 72 horas, tem possibilidade de evitar a sobrevivência do HIV no corpo. É a chamada Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

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