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Envelhecer ativo

População de idosos tem aumentado e busca qualidade de vida. Preservar a saúde mental com o envelhecer passa por hábitos saudáveis construídos ao longo da vida

19/11/2017 00:00:00
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O dia de Fátima Camarão começa cedo e é agitado: sem ajuda, ela cuida da casa toda; está sempre às voltas com os cadernos em que anota as compras de cosméticos das clientes; passeia com a cachorrinha; faz hidroginástica e participa de dois programas de alongamento em praças; dança zumba e só deixou a academia porque não se adaptou ao “tédio” dos movimentos repetitivos. Confessa que sente falta dos filhos, mas que mata a saudade interagindo no WhatsApp todos os dias de tardinha. Ao contrário do que se poderia pensar, a rotina é de uma senhora de 64 anos.


A dona de casa já é parte dos 10% dos brasileiros (19,6 milhões, com base em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE) com 60 anos ou mais. Mas longe de se encaixar em estereótipos, dona Fátima conta que não sente os sinais do envelhecimento no corpo e na mente e o segredo, para ela, está em se manter ativa. “Me sinto com 15 anos de idade. O meu espírito é jovem. Sou feliz hoje como não fui em nenhuma outra fase da minha vida”, acredita.

[SAIBAMAIS]

“Aquela imagem do velhinho que fica sem fazer nada em casa é coisa do passado. Óbvio que todo mundo precisa parar de trabalhar um dia, mas tão necessário quanto o descanso é se manter ativo, ocupado mentalmente e tendo alguma atividade física regular”, aponta o médico psiquiatra Eliéser Emídio, preceptor da Residência Médica de Psiquiatria do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSMPFP).Ainda mais com a expectativa de vida do brasileiro estimada a alcançar os 78 anos, em 2020, conforme o IBGE.


Alcunhado pela Organização Mundial da Saúde, o termo envelhecimento ativo — posto em prática por Fátima e por muitas das amigas que ela foi conquistando ao longo dos oito anos de exercícios no Centro de Treinamento e Desenvolvimento Humano (CTDH) do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará — diz respeito não somente à capacidade física. A manutenção da saúde mental, dos vínculos sociais e afetivos e das funções cognitivas está relacionada com a qualidade de vida dessas pessoas que ultrapassam os 60 anos.


Hábitos saudáveis

Com estimativas de que até 2050 o Brasil terá 29,3% da população composta de idosos e que em 2030 já se inverta a pirâmide etária, com idosos chegando a 41,5 milhões (18% da população) e ultrapassando os 39,2 milhões de crianças (17,6%), pensar e buscar o envelhecimento ativo se torna cada vez mais premente.

 

E envelhecer não precisa estar vinculado a doenças demenciais, a principal delas a de Alzheimer, que retiram do idoso a funcionalidade, é o que aponta o psiquiatra. “O que acontece de fato no indivíduo saudável é uma lentificação da capacidade de processar as informações. Contudo, essa velocidade mais baixa é compensada por uma qualidade de processamento dessas informações, guiada pelas experiências adquiridas pelo idoso ao longo da vida”, indica.


Conquistar o envelhecimento ativo não é uma regra matemática em que a soma dos fatores garantirá um resultado. Mas existem indicações, e quase todas passam por manter hábitos de vida saudáveis, longe do sedentarismo, com baixa ingestão de álcool, livre de tabagismo, e mantendo a mente trabalhando naquilo definido pelos especialistas como reserva cognitiva. “É preciso, mesmo velho, continuar aprendendo. Isso é importantíssimo para o cérebro. Todas as vezes que você termina de adquirir um conhecimento e entra numa nova seara de descoberta, seu cérebro expande”, pontua a gerontóloga, psicóloga e fundadora da Universidade Sem Fronteiras, Zilma Gurgel Cavalcante.

 

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