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Chegar aonde cada criança está

No Ceará, um projeto pioneiro leva educadores às zonas rurais, às residências de famílias. Levam orientação sobre afeto, segurança e saúde

12/11/2017 00:00:00

Para que o investimento na primeira infância aconteça, antes de tudo, é preciso qualificar quem trabalha com essas crianças. Unificar as formações dos vários agentes executores de políticas públicas preconizando noções simples, embora essenciais.


“Partimos da seguinte pergunta: o que dará impacto na vida dessa crianças?”, destaca a assessora do projeto Mais Infância no Ceará, Dagmar Soares. Conforme ela, as formações incluem os eixos da saúde (com agentes comunitários), educação (com os Agentes de Desenvolvimento Infantil — ADI) e assistência social (com técnicos dos Centros de Referência de Assistência Social).

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Dagmar explica que o agente de saúde já chegava às residências, mas o objetivo era centralizado na saúde. A estratégia foi qualificar essa visita. “Hoje eles têm a orientação de observar a relação dos pais com a criança, estimular a linguagem, falar sobre a importância do brincar”, explica Dagmar. Conforme ela, existem três eixos de diagnóstico a partir das visitas: desenvolvendo com afeto, com segurança e com saúde. As avaliações variam entre os índices de 1 a 5. Com isso, um relatório apontará as demandas daquela família e poderá facilitar a inserção na rede de atendimento.


A assessora do projeto que é referência nacional corrobora com diversos especialistas que, entre as políticas mais importantes, está a educação. “Se você encontra muitas crianças fora da creche, isso é um retrato do município”, pondera. Dagmar lembra que a meta nacional é de que o Brasil consiga, até 2022, ter pelo menos 50% das crianças entre 0 e 3 anos na creche. Hoje, essa marca nacional é de 29% e a cearense é de 33%.


A demanda por creche fez nascer o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Padin). “Temos municípios com distritos muito distantes. Será que há condições de construir uma creche? Seria a única alternativa?”, questiona Dagmar. No Padin, professores da educação infantil do município recebem uma bolsa para irem até as famílias mais distantes. O objetivo é intervir. São feitas visitas quinzenais, por cerca de uma hora, além dos encontros coletivos. Em 36 municípios, são cerca de três mil famílias acompanhadas.


Ir aonde está a demanda. Orientar, ver, avaliar, ajudar. A estratégia é realidade desde março deste ano e terá seus resultados avaliados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Funciona para nós como um piloto, porque queremos estender para os 184 municípios cearenses” garante Dagmar.


A visita é toda traçada previamente com base nos eixos de atuação. Através de atividades, os ADIs levam atividades que trabalhem o lúdico e a linguagem. A cada dois meses, os resultados são avaliados internamente. “O objetivo é vermos o desenvolvimento daquela criança como um todo. Falando de vocabulário, sabemos que quando a criança chega aos dois anos, já armazenou inúmeras palavras. Mas isso não era valorizado. No Nordeste, tem muito a história de que quando o pai fala, o filho se cala”, detalha Dagmar, que também é fonoaudióloga. Conforme ela, muitas crianças na faixa etária de três anos foram identificadas sem conseguir articular frases. “Como ela vai expressar seus sentimentos? Poucas frases, poucas palavras... isso afeta a lição de mundo”, complementa.


O Mais Infância no Ceará contempla os eixos de aprendizagem, crescimento e brincadeiras. Cognição, desenvolvimentos social e psicomotor, fortalecimento de vínculos são fatores trabalhados em ações de educação, de construção de praças, de projetos que priorizam a inclusão, de apoio especializado. O projeto foi lançado em agosto de 2015, idealizado pela primeira-dama do Estado, Onélia Leite de Santana.

Sara Oliveira

 


ONÉLIA SANTANA


Para a primeira-dama do Estado, Onélia Leite Santana, o Mais Infância entra onde é preciso. “Sensibiliza, faz saber que é importante investir nessa área. Queremos tocar, porque aí vão surgir outras políticas para a infância. Vai nascer um Mais Infância em cada município”

 

 

Adriano Nogueira

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