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Vida após o câncer

Mulheres jovens têm sido acometidas pelo câncer de mama no período fértil. Hoje, com o avanço da medicina, é possível, de diferentes maneiras, preservar o óvulo e, além de vencer pela cura, vencer também pela vida

00:00 | 15/10/2017
A auditora fiscal Mavila Magalhães, 37, enxerga no crescimento dos dois filhos a vitória no enfrentamento de um câncer de mama. Ela já era mãe de Davi. Após concluir o tratamento, realizou o sonho de ser mãe pela segunda vez. Hoje, Fabiano tem quase dois anos MATEUS DANTAS
A auditora fiscal Mavila Magalhães, 37, enxerga no crescimento dos dois filhos a vitória no enfrentamento de um câncer de mama. Ela já era mãe de Davi. Após concluir o tratamento, realizou o sonho de ser mãe pela segunda vez. Hoje, Fabiano tem quase dois anos MATEUS DANTAS

A descoberta de um câncer de mama envolve sempre muitas questões a respeito do tratamento e da cura. No entanto, o aumento da população jovem e o adiamento da primeira gravidez nas famílias, trouxe nova questão. O aumento de mulheres jovens acometidas pela doença ainda em período de fertilidade. Nesse dilema, além da pressa pela cura, a manutenção da fertilidade também tem sido uma questão importante.

Graças ao avanço dos estudos médicos, além da força de vencer o câncer, famílias inteiras se realizam com a possibilidade de realizar o desejo de ter filhos.

“A nossa pirâmide populacional mudou. Hoje existem mais mulheres nessa faixa etária de 30 a 35 anos. As mulheres estão tendo filhos mais tardiamente, a idade que antes era de 20 anos, agora passou para 30”, explica o mastologista Antônio de Pádua. O médico indica que mulheres acometidas pelo câncer que desejam ter filhos devem avaliar com o corpo clínico a melhor possibilidade de tratamento.

A partir do diagnóstico, a paciente deve comunicar ao oncologista clínico, antes de iniciar a quimioterapia, o desejo de ter filhos. “O profissional vai observar o caso dela e bolar estratégias para que ele consiga manter a função ovariana depois do tratamento”, afirma. Pádua explica que, diferentemente do que se pensava nas décadas passadas, o tratamento para câncer de mama é mais uma contraindicação para que se tenha filhos.

Devido o potencial de destruir células em evolução, o procedimento de quimioterapia pode eliminar os óvulos, causando uma menopausa precoce e, com isso, a infertilidade. “Os tumores de mama são tumores que dependem do estrogênio e progesterona (hormônios femininos).

Eles têm receptores hormonais na superfície das células e captam esses hormônios circulantes e se desenvolvem. Então a estratégia pensada foi fazer com que se iniba a presença dessas substâncias”, explica Pádua.

Segundo o mastologista do Instituto do Câncer, Ércio Ferreira, a paciente entra então em um dilema porque, ao mesmo tempo em que o tratamento contra o câncer precisa ser iniciado rapidamente, algumas técnicas de manutenção da fertilidade exigem tempo curto, mas que pode ser precioso. “Então é preciso que seja observado caso a caso”, explica.

Resguardadas as particularidades, técnicas de preservação da função ovariana têm garantido que famílias, após o tratamento, possam gerar um bebê. As principais são supressão da função ovariana por medicamentos, que viabiliza o retorno das células ao final do tratamento; congelamento de óvulos; congelamento do tecido ovariano e fertilização in vitro com congelamento dos embriões já fertilizados.

Cada câncer tem uma particularidade. Conversar com o médico e entender as possibilidades e limitações são a melhor saída. E o mais importante: priorizar a cura antes de tudo.

O Ciência & Saúde desta semana mostra mais detalhes sobre essas técnicas e a viabilidade delas, aborda questões psicológicas em torno do tema e traz o relato de mulheres que superaram e ainda superam o câncer de mama e encontraram caminhos para a maternidade.

EDUARDA TALICY