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Planos para depois da cura

Determinados tipos de câncer permitem que procedimentos de reprodução sejam feitos antes da quimioterapia. Caminho é o diálogo entre oncologista clínico e médico de reprodução humana

00:00 | 15/10/2017

Foi na tentativa de ser mãe que Nilda Sampaio, 32, se descobriu vítima de um câncer de mama. Dividida entre a busca pela cura e o desejo de ter um filho, a empresária e o esposo Eduardo Ciriaco, 36, escolheram garantir os dois: realizaram tratamento de congelamento de óvulos.

Para Nilda, a certeza da manutenção da fertilidade trouxe nova força para a superação do câncer e manteve a alegria que quem convive com ela conhece tão bem. Sustentada num salto alto e com maquiagem impecável, Nilda sabe que o processo é, antes de tudo, uma aprendizagem.

“Eu estava fazendo exames para engravidar, como é que eu recebo uma notícia dessas?”, questionou-se sabendo dos dias difíceis pelos quais passaria. Desde o início de 2016, ela decidiu ter filhos e iniciou a tentativa por métodos naturais. “Parei de tomar anticoncepcionais e liberei para engravidar. Quando vi que não estava conseguindo, procurei um ginecologista que me orientou a fazer os exames de rotina”, disse. No início deste ano, Nilda recebeu a notícia de que precisaria adiar a gravidez. Descobriu o câncer e iniciou a saga pela busca de um mastologista.

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Sem saber que a quimioterapia poderia lhe causar uma menopausa precoce, a empresária conta que visitou três mastologistas até ser orientada a fazer algum procedimento de preservação da fertilidade.

“Foi quando encontrei o meu atual médico que me orientou a buscar um tratamento de fertilidade o mais rápido possível”, diz.

Tratamento

O tratamento de cura do câncer deve ser sempre priorizado. A agilidade é fundamental para o sucesso do tratamento e procedimentos de fertilidade devem ser sempre avaliados pelo mastologista. No caso de Nilda, após realização de exames de viabilidade e em diálogo entre mastologista e médico de reprodução assistida, foi realizado o congelamento dos óvulos. Ela conta que, mesmo diante do custo do tratamento, se sentiu mais segura com o procedimento.

Daniel Diógenes, especialista em reprodução assistida e médico responsável pelo tratamento dela, conta que todo o procedimento, da visita do casal até a coleta, durou duas semanas. Ele explica que as drogas quimioterápicas podem reduzir ou acabar a reserva de óvulos de mulheres acometidas pelo câncer. Entre as opções mais rápidas, o médico cita o congelamento. Segundo ele, as taxas de gravidez, em caso de fertilização in vitro, após o tratamento, é de 50 a 60%, sendo que a chance de gravidez natural varia de 20% a 25% em cada período fértil.

Diógenes considera que diante do aumento de mulheres mais jovens acometidas pelo câncer, é importante que haja uma integração entre as áreas da medicina “Essa paciente deve ser alertada sobre a possibilidade de infertilidade. O impacto do câncer é algo muito forte e eu noto que mulheres que conseguem fazer algum tratamento vão com mais satisfação à quimioterapia porque sentem que podem gerar uma vida”, afirma Daniel.

Para Nilda e Eduardo, a possibilidade de ter filhos, como já era desejado, fez muita diferença. As gargalhadas são altas durante nossa conversa e refletem a força que Nilda nunca deixou de ter. “Tem dias que tenho sim o meu luto, mas tenho tentado enfrentar esse câncer da melhor maneira possível”, explica.

Ela conta os dias para o começo e o fim de 2018, quando se encerra a parte mais complexa do tratamento. “Essa doença é um dragão, mas eu tenho me mantido viva, com minhas unhas feitas, o meu batonzão.

Escuta o que estou te dizendo: em 2020, vou estar com os seios lindos, duas crianças correndo pela casa e vou ter aprendido muito”, garante. (Eduarda Talicy) 

Nilda Sampaio atravessa o tratamento sonhando com a maternidade MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO
Nilda Sampaio atravessa o tratamento sonhando com a maternidade MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO