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A inteligência artificial e a Geração Alpha

Meninas e meninos de até sete anos de idade vivenciarão o contato com tecnologias de inteligência artificial em todas as fases da vida

17:00 | 26/08/2017
Rafael Gomes do Nascimento, 12, já fez programação de drone que se movimenta com e sem controle remoto MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO
Rafael Gomes do Nascimento, 12, já fez programação de drone que se movimenta com e sem controle remoto MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO

Considerada uma das gerações mais impactadas pelas tecnologias de inteligência artificial, as crianças nascidas entre 2010 e 2025 deverão ter contato com as IAs em quase todas as fases da vida. Denominada Geração Alpha, essas meninas e meninos têm hoje até sete anos de idade. De cuidados passando por assistência médica à adoção de animais de estimação, os pais deste milênio — nascidos entre 1985 e 2000 — veem todas as fases da vida de seus filhos envolvidas por tecnologia de Inteligência Artificial, segundo pesquisa da IEEE.

Na fase inicial da vida, essa interação é presente por meio das já conhecidas babás eletrônicas, por aparelhos e apps de monitoramento de saúde e sono. De acordo com Edson Prestes, membro sênior do IEEE, crianças com cerca de dois anos, já têm interação com assistentes digitais, assistentes de telefone (como a Siri, por exemplo), robôs de entretenimento.

“Essas crianças na fase adulta continuarão tendo contato com IA através de carros autônomos e apps de monitoramento de saúde, que estão ficando cada vez mais comuns”, afirma Prestes.

Mesmo parecendo distante para alguns, Rafael Gomes do Nascimento, 12, enxerga essa realidade de forma muito próxima. Ele é aluno da escola de programação HappyCode e aprendeu princípios de IA ao conseguir programar um drone que realiza movimentos com e sem controle manual, só com padrões pré-estabelecidos. Parece complicado, mas eles fazem isso brincando. “A gente consegue fazer ele dar algumas voltas sobre obstáculos e baixar ou levantar quando for preciso”, diz.

De acordo com Katarina Hachen, 25, engenheira da computação e coordenadora pedagógica da sede da escola em Fortaleza, durante as aulas a criança vai montando o drone e programando da forma que quiser. “É fato que essas crianças estarão rodeadas dessas tecnologias, mas se elas souberem como produzir, elas vão ser altamente privilegiadas, aprendendo a fazer isso de forma correta, ética, produtiva e não de forma solta, só viciante e não estimulante”, acredita.

César Martins, diretor de tecnologia e informação da escola, conta que esteve em maio deste ano no Vale do Silício e as discussões que mais foram travadas eram a respeito de IAs. “É uma realidade, isso faz já parte de nossa rotina. Nosso papel é introduzir da melhor maneira a temática para essas crianças”, explica.

De acordo com Yuri Lenon, doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), nossa geração já vive impactos em relação às informações obtidas pela Google, por exemplo que consegue traçar preferências e um perfil. “Para além do mundo virtual, a geração Alpha também será a primeira que terá à sua disposição máquinas com IA realizando tarefas realmente efetivas. Não quero tentar predizer o futuro aqui, mas especulo que em dez anos carros autônomos já serão, de certa forma, populares (no momento, são realidade, mas restritos). Talvez essa seja a primeira geração que não precisará dirigir”, reflete.

Além disso, ele cita computadores que identificam pessoas em vídeos e fotos com muita desenvoltura, inclusive identificando ações e contexto da cena automaticamente. “Isso pode ajudar a polícia na investigação de crimes para logo”, diz. (Eduarda Talicy)