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A infância diante da TV

Com o início das férias, pais devem estar atentos à exposição excessiva dos filhos diante da TV. Agora que ela está conectada à internet, a televisão apresenta novas possibilidades às crianças e desafios aos pais

01/07/2017 17:00:00
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Presente quase que unanimemente nos lares brasileiros, a televisão representa companhia, ainda que virtual. Nas férias de julho, quando crianças têm mais tempo livre devido à folga da escola, a tevê fica ainda mais “exibida” e se mostra aos pequenos como uma alternativa de diversão. E isso se mantém mesmo com a popularização de outros aparatos tecnológicos, como smartphones e tablets, já que, hoje, a televisão também se conecta à internet.

[SAIBAMAIS]

Nesse contexto, o uso correto do equipamento e da programação veiculada por ele pode ser benéfico para a educação das novas gerações, mas, se feito em excesso, oferece riscos tanto à saúde dos pequenos (incluindo distúrbios oculares e obesidade), como às suas relações sociais, como perda de empatia e contato com o outro. Com o início das férias e, consequentemente, o aumento da permanência das crianças em casa, a atenção para estes efeitos deve ser reforçada.


“Quanto mais a criança fica presa ao aparelho dentro de casa, consequentemente mais fora de outras atividades ela está”, explica Daniel Franco, psicólogo, psicanalista e membro da Associação Cearense de Terapia Familiar, do Centro Interdisciplinar de Saúde na Primeira Infância e da Liga de Neurologia e Psiquiatria Infantil da Universidade Federal do Ceará (UFC). Segundo o profissional, o isolamento causado pela tevê, além de prejudicar a saúde, cerceia o contato da criança com a família — quando esta não se envolve na ação.


Luana Timbó, psicanalista do Centro de Referência à Infância (Incere) e professora do curso de Psicologia da Fanor/DeVry, considera essa uma visão pessimista do uso da televisão. Ela pontua que, no contexto positivo, a tecnologia possibilita a participação mais direta dos jovens na sociedade, principalmente com o uso da internet, “ressaltando as produções próprias sem intermédio de adultos” — a exemplo dos youtubers mirins.


O que Luana entende como uso otimista, a doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim) da UFC, Inês Vitorino, assimila como oportunidade. Para a profissional, o contato com o conteúdo audiovisual possibilita acesso a conhecimentos científicos e ampliação do repertório cultural.


No entanto, quando associada a televisão à internet e às novas mídias móveis, segundo Vitorino, existem riscos relacionados “à privacidade e ao uso indevido de dados e da imagem das criança e seus grupos de pertença e novas formas de trabalho infantil e de exposição da criança na vida pública. (...) Por outro lado, há oportunidades de livre expressão da criança sobre questões que lhe dizem respeito, de acesso à informação”, conclui a pesquisadora.


Nas próximas páginas desta edição, o Ciência & Saúde aprofunda com especialistas os benefícios e malefícios da relação mídia e infância, mostra relatos de pais que acompanham a rotina dos filhos diante da tevê e dá dicas de como fazer dessa atividade uma forma de educar os pequenos.

Boa leitura!


 

Luana Severo

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