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Quando prevalece a decisão de ser mãe!

A queda da fertilidade é a principal razão para a dificuldade de engravidar após os 40, mas não só. Doenças comuns a esse estágio da vida acometem as mulheres, inclusive quando não estão grávidas

13/05/2017 17:00:00
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A maternidade foi sempre deixada para depois. Casada há sete anos, a assistente administrativa Djenane Freitas, 40, tentava se preparar psicologicamente, mas achava que nunca estaria pronta. “Eu gostava da minha liberdade e achava que uma criança iria me prender”, argumenta. Ser mãe nunca esteve entre seus maiores desejos. Casada há sete, foi somente aos 39 anos que ela definiu ser a hora. E hoje aos 40, grávida de nove meses, nunca imaginou que ela, até então avessa à criança, poderia gostar tanto da ideia.


E Djenane teve uma gestação sem grandes intercorrências. A gravidez de Esther ocorre de forma segura e tranquila - o que não é comum aos 40 anos. “Gestante nessa fase da vida precisa de atenção redobrada. Os maiores riscos são de hipertensão e diabetes gestacional”, aponta o obstetra Edson Lucena, chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), da Universidade Federal do Ceará (UFC).

[SAIBAMAIS]
O período de maior preparação do corpo de uma mulher para a gravidez é entre os 20 e os 35 anos. É nesse espaço de tempo que o corpo apresenta a maior fertilidade e se prepara, a cada mês, para ser morada provisória de um embrião.

Após esses 15 anos, o corpo passa a ter mais riscos de abortamento ou de doenças comuns à idade, como diabetes e hipertensão. O médico faz duas orientações: tenham filhos antes dos 35 ou congele os seus óvulos, se deseja ser mãe após os 40.


Uma pesquisa feita pela Universidade de Adelaide, na Austrália, no início dos anos 2000, concluiu que bebês nascidos de mães com mais de 40 anos que fizeram reprodução assistida tiveram menos deficiências congênitas do que aqueles que foram concebidos naturalmente por mulheres da mesma idade. Os pesquisadores avaliaram todos os nascidos vivos entre 1986 e 2002 no sul da Austrália. Ao todo foram 301 mil concepções naturais e 2.200 fertilizações in vitro.


A incidência de problemas de nascimentos com concepção natural foi de 5,6 % em mulheres jovens, aumentando para 8,2 % em mulheres com mais de 40 anos. Já no grupo de mulheres que engravidaram através de fertilização in vitro, essa taxa caiu para 3,6%.

 

Pélvis testada


A primeira gravidez após os 40 anos representa para a mulher os mesmos riscos que uma segunda, terceira ou quarta gestação. Segundo o obstetra Edson Lucena, os riscos para mulheres que estão grávidas pela primeira vez nessa faixa etária é o mesmo para quem já é mãe e está grávida aos 40, o que diferencia é a saúde da mulher. “As complicações de uma gravidez são as mesmas”, dispõe, e assegura que a mesma ideia se tem para o parto adequado.


“O que facilita é que a mulher teve a pélvis testada, ou seja, se ela já teve uma gravidez tem uma maior facilidade de ter uma segunda”, afirma. “O importante é ter um parto adequado. Mulheres que estão gestantes pela primeira vez aos 40 também têm possibilidade de parto normal”, classifica Lucena. (Angélica Feitosa)

 

SAIBA MAIS


Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de mulheres que foram mães após essa idade subiu 49,5% em 20 anos, passando de 51.603 em 1995 para 77.138 em 2015. São os números mais recentes disponíveis.

 

As estatísticas de 2015 mostram que 72.290 dessas mães tinham entre 40 e 44 anos e outras 4.475 estavam na faixa etária dos 45 aos 49. Houve ainda 373 brasileiras que se aventuraram na maternidade após os 50 – entre elas, 21 já eram sexagenárias quando deram à luz.

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