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A rotina das crianças que crescem ativas

| Atividade física | Respeito, disciplina, socialização. Como o esporte afeta a forma como as crianças se relacionam entre si e com a própria vida

15/04/2019 02:25:35
Marisa e João Pedro: paciência, respeito, hierarquia e disciplina no karatê
Marisa e João Pedro: paciência, respeito, hierarquia e disciplina no karatê (Foto: Tatiana Fortes)

Quando, aos 9 anos, entrou para o curso de karatê do Instituto Beatriz e Lauro Fiuza, no Passaré, Marisa Soriano, 13, tinha o único propósito de aprender a se defender. Só depois de algum tempo conhecendo o esporte foi que a menina entendeu que a rotina das aulas e os exercícios ensinavam muito mais sobre paciência, respeito, hierarquia e disciplina.

Marisa, antes, praticava balé na escola. Basicamente porque "achava bonito" acompanhar as apresentações, não por gostar da dança. Por isso, também, decidiu experimentar outra modalidade. Hoje, que se encontrou no esporte, ela conta, tem outra perspectiva sobre a própria vida. Diz, aliás, que mudou a forma de reagir quando se sente ameaçada por quem quer se mostrar superior. "Não acho que sou maior. Então, só digo que todo mundo é igual".

O respeito mútuo independente de qualquer coisa, inclusive, de hierarquia, é um dos pilares do karatê, de acordo com o professor de Marisa e medalhista Alexandre Rosa, 25. "As cores das faixas (que estampam as cinturas dos karatecas) são para eles saberem que, a frente, há uma pessoa a quem eles devem responder. Mas, o respeito tem que ser mútuo", ensina.

 Diferentemente de Marisa, João Pedro Moreira, 12, buscou o karatê por influência do pai. No entanto, foi por ter despertado a própria paixão pela modalidade que decidiu se manter nela e, hoje, treina para competir. Na escola, brinca de pega-pega e esconde-esconde e pratica atividades de resistência. Em casa, por somente uma hora — ele garantiu — se rende ao videogame.

Rafael Saraiva, 8, tenta, ainda, encontrar seu lugar no esporte. Garante que se sente bem praticando futsal, mas também gosta de judô e futebol de campo — nunca se adaptou à natação. Pai, o publicitário Fernando Linhares, 59, conta que o esporte proporcionou ao filho mais do que condicionamento físico. "Ele não é o melhor, mas gosta de praticar", resumiu. Disse, também, que incentiva Rafael a se exercitar porque quer para o menino uma infância ativa semelhante à que teve quando criança. "Quando tenho tempo livre, acompanho e tudo".

Especialmente no futebol de campo e no futsal, Rafael aprendeu, sozinho, a escancarar o próprio potencial e a ganhar o respeito dos colegas em consequência disso. "No começo, o pessoal não me aceitava. Eu ficava pedindo a bola e eles nem aí. Um dia, tocaram pra mim e marquei gol. Começaram a me aceitar".(Luana Severo)

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Escolha

Quando a criança não conseguir escolher uma atividade, uma alternativa é possibilitar a ela aulas experimentais diversas

Atividade física para cada idade

A Sociedade Brasileira
de Pediatria (SBP) recomenda a prática de exercícios físicos diariamente na infância e na adolescência.

0 a 2 anos de idade

O bebê que ainda não começou a engatinhar deve ser estimulado a se movimentar de diferentes formas, seja alcançando, segurando ou movendo a cabeça, o corpo e os membros nas rotinas diárias.

Quando já consegue andar sozinha, a criança deve passar pelo menos três horas diárias praticando alguma atividade que a estimule a ser ativa. Exemplos: ficar de pé, rolar, brincar, correr.

Até os 2 anos, não é recomendado deixar a criança ocupar o próprio tempo com TV ou eletrônicos.

3 a 5 anos de idade

Crianças nessa faixa etária devem passar três horas, no mínimo, por dia, praticando atividades de qualquer intensidade. Exemplos: andar de bicicleta, jogos com bola.

A partir dos 3 anos podem ser inseridas na rotina da criança modalidades como natação, danças, lutas.

A exposição a TV e eletrônicos deve ser limitada a, no máximo, duas horas por dia.

6 a 19 anos de idade

Recomenda-se praticar atividade física moderada como nadar, pedalar, correr e saltar pelo menos uma hora por dia. Mais do que isso é... ótimo!

Atividades de "intensidade vigorosa", ou seja, aquelas que fortalecem ossos e músculos, devem ser feitas em, pelo menos, três dias por semana.

Comportamentos sedentários devem continuar sendo evitados. Mantém-se a recomendação de limitar até duas horas por dia o tempo de exposição a TV e eletrônicos.

Fonte: SBP - https://bit.ly/2G5u2ij.

Luana Severo