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A Ursa Maior e a ninfa Calisto

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C ar@s amig@s leitores da coluna Visões do Cosmos, achamos importante levarmos o leitor desse importante caderno a um passeio pela cultura.

Ursa Maior é um belíssimo grupo de estrelas localizado no hemisfério norte celeste - também visível por habitantes nas regiões próximas à linha do Equador. Em Fortaleza e demais capitais do Norte e Nordeste do Brasil, essas estrelas são facilmente visíveis no céu noturno nessa época do ano.

Ursa Maior é uma constelação de muita referência para os habitantes do Norte, tal como é a constelação do Cruzeiro do Sul para nós habitantes do Hemisfério Sul.

Existem muitas lendas associadas a essa constelação. Chineses, gregos, escandinavos e vários outros povos fizeram suas referências a esse grupo de estrelas. Ao longo dos séculos a constelação também mudou de nome várias vezes, já foi Arctos (urso em grego), Arado, Arca de Noé, Septem Triones (Os Sete Bois), Carro de David, Esquife, Septarsi (Os sete sábios, em sânscrito). Mas, a grande maioria dos povos sempre a chamou de Ursa.

Das várias mitologias associadas a essa constelação a que mais me encanta é a história da ninfa Calisto, da mitologia grega, principalmente quando contada, de forma elegante e didática, por Rubens de Azevedo no seu livro "No Mundo da Estelândia" (Editora do Brasil, 1968), a qual reproduzo aqui:

" A ninfa Calisto era companheira inseparável de Artemis (Diana), a deusa da caça. Resolvida a guardar a castidade, afastou-se do convívio dos mortais e juntou-se ao grupo de ninfas que acompanhavam a deusa.

Um dia, porém, Zeus viu a bela jovem a correr pela floresta e apaixonou-se por ela. Como a ninfa fugia a todos os homens, o deus dos deuses transformou-se na própria Artemis e assim conseguiu aproximar-se da jovem, realizando seu intento. Envergonhada por ter sido seduzida, Calisto refugiou-se no fundo do bosque e ali deu à luz um menino que se chamou Arcas. Após o nascimento do garoto, Calisto, imaginando ocultar o fato, voltou a participar do cortejo de Artemis; esta, porém, furiosa ao perceber tudo (já era uma deusa) transformou a numa enorme ursa. A infeliz ficou a vagar pelos bosques da Arcádia enquanto o garoto, sob a proteção de Zeus, cresceu e se tornou um belo rapaz e um famoso caçador.

Um dia, Arcas viu uma enorme ursa que se movia vagarosamente, como que a segui-lo. Empunhando o arco, colocou nele uma flecha e apontou para o animal, que o fitava com a expressão da mais dolorida ansiedade. Como é fácil adivinhar, tratava-se da ninfa, mãe do jovem, o qual, de nada sabendo, retesou o arco e a flecha partiu.

Lá do alto do céu, Zeus percebeu a tragédia iminente. E, para evitar o matricídio, transformou, repentinamente, o jovem caçador num pequeno urso - o qual, reconhecendo na ursa a sua mãe, correu ao seu encontro. Para completar a obra, Zeus fez com que ambos se transformassem em constelações". E assim, estão para sempre no céu a Ursa Maior e Ursa Menor, duas importantes constelações do Hemisfério Norte.

Por Dermeval Carneiro

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