PUBLICIDADE
Jornal
cartola

Exames monitoraram infecção por biomarcadores

25/02/2019 04:42:59

A sepse também está associada a uma disfunção generalizada no organismo, com alterações gerais no metabolismo, incluindo hiperglicemia (excesso de glicose no sangue) e catabolismo (consumo de matéria orgânica pelo corpo para produzir energia). Os pesquisadores investigaram essas alterações em amostras de urina por meio de ressonância magnética nuclear.

Feita em parceria com o professor Edilberto Silveira, do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC, a investigação teve o objetivo de identificar biomarcadores na urina dos animais que pudessem traduzir as condições do organismo e sua possível disfunção. Isso no contexto de uma ciência metabolômica, que considera as alterações do sistema chamado metaboloma.

Esse sistema é formado por metabólitos, produtos do processo de metabolização de moléculas do organismo, justamente os compostos que a ressonância buscava identificar. Exemplos de metabólitos são a creatinina, produto final do metabolismo da creatina muscular, continuamente liberada para o sangue e normalmente excretada pela urina, e o piruvato, gerado após a absorção celular da glicose.

Se há problema renal e modificação dos sistemas orgânicos, uma investigação metabolômica mostra uma quantidade anormal desses metabólitos no soro sanguíneo e na urina, proporcionando a identificação e um estudo da disfunção.

"O que havia na urina nós identificamos com a ressonância magnética nuclear. No animal-controle, encontramos determinados metabólitos, mas o animal com sepse já apresentava outros, diferentes também do animal tratado somente com o gingerol", explica o professor Havt.

Após a administração do gingerol, foram encontrados metabólitos com fatores anti-inflamatórios produzidos em maior número, tanto em animais saudáveis quanto em situação de sepse.

Apesar de o foco da pesquisa estar no funcionamento renal, foi percebida, com isso, uma melhora metabólica geral, resultando em um aumento de sobrevida dos animais com sepse. Saber o impacto dos gingeróis em outros órgãos, porém, dependerá de novos estudos. Além disso, os pesquisadores visam à aplicação das técnicas desenvolvidas em futuras pesquisas clínicas no Hospital Universitário Walter Cantídio.

TAGS