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Afogamento é principal causa de morte acidental de crianças no Ceará

Morte de crianças por motivos acidentais vem caindo no Brasil. Mas acidentes continuam sendo a principal causa de morte na faixa etária de um a 14 anos no País

13/07/2019 01:31:51
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Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que de 2001 a 2017, data mais recente disponibilizada, os casos de acidentes fatais envolvendo pessoas de até 14 anos diminuíram em 40,8%. No Ceará a queda no mesmo período foi de 53,8%. Entretanto os casos ainda chamam atenção: em 2017, 120 crianças e adolescentes de zero a 14 anos foram vítimas fatais de acidentes no Estado, 42 delas morreram afogadas e 36, em acidentes de trânsito. Os dados foram divulgados na última quarta-feira, 10, pela organização não-governamental Criança Segura.

Quando somados, acidentes de trânsito e afogamentos são responsáveis por 58,56% das mortes acidentais de crianças e adolescentes no Brasil. Diversos motivos tornam as crianças mais suscetíveis a acidentes; além de terem tamanho menor, elas apresentam diferenças quanto ao seu desenvolvimento, experiência e comportamento. "Seus corpos são mais frágeis, ainda não desenvolveram plenamente seu equilíbrio e coordenação motora, e elas têm capacidade limitada de reconhecer e se livrar de situações perigosas", explica Vanessa Machado, gestora da ONG Criança Segura.

Para Vanessa, a supervisão e o acesso à informação são centrais para a segurança das crianças. "O olhar atento de um adulto, que sabe o que pode representar um risco à criança e o que fazer para evitar acidentes, é a melhor forma de evitar que casos graves aconteçam." Educar as crianças "para que elas também aprendam a se auto-cuidar" é outro ponto levantado pela coordenadora. Cada faixa etária possui características próprias do desenvolvimento que aumentam as chances de determinados tipos de acidente acontecerem.

Menores de um ano têm maior risco quando o assunto é sufocação; conforme crescem, a atenção deve-se voltar para prevenir afogamentos - segunda maior causa de morte acidental de crianças no País, atrás apenas do trânsito, e principal causa de morte no Ceará em 2017. Fora 42 casos registrados no Estado. Destes, apenas 21 foram especificados nos relatórios do SUS, apontando um risco maior em águas naturais - rios, lagoas e mar, por exemplo. O POVO contatou o Corpo de Bombeiros questionando sobre programas de prevenção a conscientização acerca dos riscos de afogamento e não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Dos cinco aos 14 anos o perigo são os acidentes de trânsito. Após queda expressiva desde 2001, especialistas temem que os índices voltem a crescer diante de proposta que tramita no Congresso e propõe abrandar as punições determinadas pelo Conselho Nacional de trânsito (Contran) para quem transporta crianças sem cadeirinha ou assento de elevação. "O banco do carro e o cinto de segurança são projetados para proteger uma pessoa com mais de 1,45 m de altura. Os equipamentos de retenção infantil, quando usados e instalados corretamente, evitam em 71% a morte das crianças em caso de colisão", contabiliza Vanessa.

 

MARCELA TOSI