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Escolas apostam na educação ambiental de crianças

| MUDANÇA DE HÁBITOS | Consumo consciente e preservação ambiental são discutidos em projetos. Alunos são convidados a repensarem seus valores

22/05/2019 01:36:00
CASA DE CRIANÇA: pais fazem doações em troca
CASA DE CRIANÇA: pais fazem doações em troca "moedas" para comprar artigos de material reciclado (Foto: Mateus Dantas)

A escola será transformada em um pequeno Centro da Capital. Uma das salas fará as vezes de Theatro José de Alencar; na quadra, a Praça do Ferreira surgirá. Em mesas, tal como lojas, produtos estarão a venda. Eles foram elaborados com a ajuda das próprias crianças, a partir de material reciclável: bebedouro de cachorro e jogo pedagógico nascem de garrafas pet; palitos de picolé se moldam em porta-retrato; de bolas de meia e corda surge um espantalho. "Trabalhamos consciência ambiental e sustentabilidade", diz a coordenadora da Escola Casa de Criança, Ana Ásia Almeida.

A preocupação com o meio ambiente tem sido pauta em escolas públicas e privadas de Fortaleza como uma discussão que não pode ser adiada. O POVO visitou três colégios, um deles da rede pública, para acompanhar a formação que deve levar meninas e meninos a serem adultos ambientalmente responsáveis.

Na Casa de Criança, no Dionísio Torres, os alunos estavam muito afiados com o sentido da sustentabilidade. Laura de Mesquita, 5, aprendeu que muito material que vai para o lixo pode ser transformado e reutilizado. Ela ajudou a criar um comedouro de passarinho. "É legal poder ajudar o Planeta", diz a menina. No próximo dia 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Colega de turma, Maria Praça, 5, entendeu uma outra lição importante para os pequenos: repensar o pedido de um brinquedo ou algum doce. "Quando eu vou no supermercado, não fico pedindo a mamãe que compre coisas. Aprendi que ali não é lugar. É lugar de comprar fruta e verdura", ensina. A aula transpõe os limites dos muros. Alunos da escola visitaram uma rede de supermercados para ter lições de consumo consciente.

O colégio se prepara para, nos próximos dias 31 de maio e 1º de junho, virar o bairro mais antigo da Capital, o Centro, e discutir a responsabilidade com meio ambiente. A feira "Empreendedores do Bem" acontecerá nos espaços da escola. O material a venda foi produzido pelos próprios alunos, a partir de materiais recicláveis, com a ajuda dos professores. Com a doação de alimentos, fraldas, materiais de higiene e limpeza ou leite em pó, os pais adquirem as moedas de troca, os Trevos, e poderão comprar o produto confeccionado pelos pequenos.

"Importante perceber que a educação ambiental vai além da reciclagem e cuidado com os animais", reflete a professora Vanessa Louise Batista, do Departamento de Fundamentos da Educação, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará. A separação que fazemos entre humanos e meio ambiente é, segundo a professora, cultural. "Somos parte dele. Se destruímos o ambiente, destruímos a nós mesmos", lembra.

O tema da Feira de Ciências deste ano do Colégio Antares também investe na educação ambiental e discute o Acordo de Paris, firmado em 2015 por países membros da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Vera Guimarães, diretora da sede Papicu, enxerga nos alunos o resultado do trabalho que vem sendo feito pela escola.

No projeto, as crianças do infantil ao 3º ano do Ensino Médio recebem a alcunha de "consumo e produção responsáveis com geradores de vida" e desenvolveram 28 trabalhos voltados à sustentabilidade e ao meio ambiente, nos mais diversos aspectos. Maria Clara Ribeiro, 15, fez parte da equipe do 2º ano, que apresentou o trabalho sobre grafeno como um dos melhores condutores de energia. "Ele é um material semelhante ao grafite e pode ter vários usos. Desde eletrônica e ótica até uso biológico", conta.

Na Escola Municipal Antônio Sales, no Rodolfo Teófilo, o trabalho ambiental começou em 2017. Liana Mendes, diretora da escola, afirma que o trabalho é em várias vertentes: desde o plantio de mudas e hortas em pneus reciclados até a separação de material reciclável. "Em 2017, havia dois pontos de lixo na calçada da escola. Mobilizei a Prefeitura e realizamos uma conscientização com a população. Hoje, não existe mais", conta. O material reciclado da escola é doado para 20 famílias de catadores. Laís dos Santos, 11, estudante do 5° ano, conta que após o início das aulas na escola, há dois anos, mudou vários hábitos. "A gente precisa se conscientizar", confirma.

* Matéria atualizada no dia 22 de maio 

 

Doação

Os produtos arrecadados na Casa de Criança serão destinados a cinco instituições: Lar Torres de Melo; Instituto Primeira Infância (Iprede); Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae); Escolinha Sol, no bairro Caça e Pesca e Associação Peter Pan

ANGÉLICA FEITOSA