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Mortalidade materna cai 61,26% em seis anos em Fortaleza

Capital bateu meta da OMS com 11 anos de antecedência

17/05/2019 00:13:36
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Fortaleza teve redução de 61,26% de mortes de mães de crianças com menos de um ano de idade em relação aos últimos seis anos. Dados apresentados pela Prefeitura nesta quinta-feira, 16, apontam que a taxa de mortalidade materna é de 25,1 a cada 100 mil nascidos vivos. Isso significa que a Capital alcançou, com 11 anos de antecedência, a meta definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O objetivo era reduzir para 30 a cada 100 mil nascidos a Razão de Mortalidade Materna (RMM) até 2030.

Em 2018, a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) também teve redução. Foram 11,3 recém-nascidos mortos para cada mil nascidos vivos contra 13,5 em 2017. Nesse recorte, a variação é menor. Em 2013, a taxa chegava a 11,5. A TMI da Capital é menor do que a do Ceará, com 13,8 mortalidades a cada mil nascimentos em 2018, e do Brasil, com 12,8 casos no mesmo ano. O Ceará é o 11º estado no ranking das Unidades da Federação.

Os indicadores são usados para comparar o nível de qualidade dos sistemas de saúde entre cidades, estados ou nações ao redor do mundo. De acordo com o prefeito Roberto Cláudio, a TMI exprime não só a qualidade da assistência da saúde infantil, mas representa um conjunto de circunstâncias. "A mortalidade infantil, por exemplo, é impactada pela educação da mãe, pelas condições de acesso aos alimentos, pela qualidade do saneamento", afirma.

Ele afirma que os indicadores são um reflexo do sistema de saúde e das condições sociais e econômicas do entorno da criança e da mãe. Atenção primária, assistência ao parto e acompanhamento ou a falta dele durante as complicações do primeiro ano de vida são fatores determinantes na taxa de mortalidade infantil.

Dentre os pontos importantes para reduzir a razão da mortalidade materna, estão o pré-natal, a boa assistência no parto, assistência hospitalar para gerir eventuais complicações maternas e o necessário acompanhamento no pós-parto, período que pode levar de 45 a 60 dias.

A gestão atribui os avanços aos investimentos em saúde primária, estímulo do início precoce do pré-natal e o acompanhamento mais detalhado da gestante. "Isso não é produto só da gestão, é produto de um grande trabalho na Cidade, uma consciência nova das mulheres", frisa Roberto Cláudio. Segundo ele, as gestantes têm procurado cada vez mais acompanhar a saúde durante a gravidez.

Os próximos passos

O prefeito defende, no entanto, que ainda é preciso aprimorar políticas públicas. O próximo passo é se aprofundar em um estudo mais dirigido para entender onde e em que condições os óbitos aconteceram. Embora reconheça a falta de embasamento científico, ele diz que o uso de drogas, principalmente na juventude, tem levado à gravidez precoce e/ou não assistida, caso ainda mais grave. Para isso, a Prefeitura desenvolve um trabalho de planejamento familiar nos postos de saúde, a frente de atendimento primária às comunidades.

"É muito comum que jovens que engravidam na adolescência tenha a maior probabilidade de terem bebês com baixo peso ao nascer. Uso de drogas e álcool na adolescência aumentam mais ainda essa possibilidade. Por isso, passa a ser uma das prioridades", aponta. "Também estamos trabalhando em relação às infecções durante a gestação, que levam ao risco maior de o bebê nascer com complicações e a própria gestante complicar durante o parto. São duas questões que estamos colocando uma lupa".

Titular da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Joana Maciel explica que as informações divulgadas vão além do binômio mãe e filho e que é preciso fazer um ajuste mais fino para lidar com os desafios. "Analisando o território do Município como um todo, a gente percebe que existem áreas de maior vulnerabilidade, onde a gente tem mais casos de gravidez na adolescência. A gente tenta fazer com que elas não engravidem, mas se engravidar, é preciso um trabalho de busca ativa muito mais criterioso para que a gestante não deixe de ir até o posto de saúde realizar o pré-natal", explica.

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Rubens Rodrigues