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Comércio de "judas" ocupa ruas da Capital

| SÁBADO DE ALELUIA |

25/04/2019 10:09:32
JUDAS expostos no cruzamento das avenidas Borges de Melo e Raul Barbosa
JUDAS expostos no cruzamento das avenidas Borges de Melo e Raul Barbosa (Foto: Mauri Melo)

A tradição vem perdendo a força, mas a malhação de judas ainda movimento o comércio de bonecos em Fortaleza. Bolsonaros, Temers, Dilmas e Lulas são os mais vendidos este ano, explica José do Judas, que há 17 anos atua no ramo.

Ele e Milena, sua esposa, trabalham juntos na produção e venda dos bonecos, no cruzamento da Raul Barbosa com Murilo Borges. Eles começam a confecção dos judas três meses antes da Semana Santa, já que a montagem é complexa.

Diferente dos "judas de pano", os de José são feitos com esqueletos de madeira e cabeças de papel machê, garantindo uma queima por mais tempo - duas horas, ele garante. As roupas que vestem os bonecos são compradas em brechós do Centro e o tamanho deles é feito sob medida para caber em um carro. "O cliente quer levar o judas limpinho dentro do carro, todo vestido. Aí a gente agrada o cliente que é pra todo ano ele voltar", reforça José do Judas. Milena afirma que chegam a vender mais de 70 judas por temporada.

José explica que já teve conflitos em relação aos personagens. No esporte, por exemplo, ele evita estampar bonecos com camisas do Ceará e Fortaleza. Na política também. Um dos bonecos, no dia da entrevista, vestia roupas do exército, no que José explicou que era o corpo de Bolsonaro. Mas, o rosto era genérico, já que o profissional tem receio em colocar a cabeça de Bolsonaro e as pessoas não receberem bem a relação. O preço varia. Se for alguma personalidade, principalmente política, chega a custar R$ 300. Bonecos comuns custam R$ 200, mas os preços são negociáveis.

Michael Dallas, 19, participa desde os 15 anos da tradicional malhação de judas em uma comunidade da Prainha do Canto Verde, em Beberibe. Além da queima dos bonecos, o jovem participa do movimento dos Papangus, que são pessoas mascaradas e disfarçadas que saem pela cidade, pedindo ofertas e se reunindo em uma festa realizada após o cortejo.

No município, a festa é comum e ganha características novas a partir da comunidade que realiza. "A particularidade da Prainha é que eles (pagungus) se vestem de palha de bananeira. A gente vai buscar nas fazendas, corta, amarra e veste o corpo todo. Colocamos as palhas como um agasalho", conta Michael. Atualmente, a festa ganhou novos rumos e tem se tornado uma importante fonte de renda para a comunidade.

A queima de Judas simboliza a morte de Judas Iscariotes, que por 30 moedas de prata teria entregue Jesus aos soldados romanos para ser crucificado. A tradição, de comunidades católicas e ortodoxas, foi introduzida na América Latina pelos portugueses e espanhóis.

Gabriela Feitosa ESPECIAL PARA O POVO