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Jornal
CRATO

Tio que participou do estupro de sobrinha confessa mais dois casos

| Crato | Sexto tio está foragido. Abusos começaram quando vítima tinha 7 anos. Um deles ainda confessou ter estuprado mais duas meninas

02/03/2019 00:13:10

Cinco homens foram presos e um está foragido pela acusação de estuprar há cerca de dez anos uma sobrinha. À Operação Infância Perdida, como foi batizada, um dos presos confessou ainda ter abusado de outras duas meninas da família, que têm 8 ou 9 anos, conta a delegada Kamila Brito, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Crato, região do Cariri.

Um dos presos é tio-avô da vítima adolescente; os demais, tios em primeiro grau, sendo todos irmãos. Foi o tio-avô, que tem 84 anos, quem confessou ter abusado das duas outras meninas. Vítimas e agressores moram num distrito da zona rural.

A operação policial para cumprir seis mandados de prisão expedidos pela Justiça referentes ao caso de estupros da adolescente foi realizada na manhã de ontem. O sexto tio, porém, conseguiu fugir e não havia sido localizado até o fim da tarde de ontem. Ele não estava em casa, pois havia ido a um velório, e dali conseguiu escapar, conta a delegada.

Conforme a vítima cuja denúncia que deu início à operação, os estupros começaram quando ela tinha apenas 7 anos — hoje ela tem 17 -, logo que o pai morreu. As outras vítimas, segundo a delegada, relataram não lembrar de quando os estupros se iniciaram, apenas confirmaram os abusos.

A denúncia inicial foi recebida pela DDM no fim do ano passado. Foi pedida a prisão temporária dos homens, que dura 30 dias, tempo em que a delegacia espera concluir o inquérito policial. Após o término do período, a Justiça avalia a necessidade de conversão da prisão temporária em prisão preventiva.

Os seis homens são enquadrados pelo crime de estupro de vulnerável (artigo 217-A do Código Penal Brasileiro). A pena máxima é de 15 anos de prisão.

Em depoimento, de acordo com a delegada Kamila Brito, o idoso foi o único a confessar o crime. "Quando indagados, porque eu perguntei 'por que então a vítima iria inventar toda essa história?', eles não respondem nada. Não sabem o que dizer".

Ainda segundo a apuração da Polícia Civil, vítimas e agressores não moravam na mesma casa, mas residiam próximos uns dos outros. A proximidade, acredita a delegada, intimidava os demais familiares a denunciar o crime. "Moravam em casas coladas, em frente, a pouco metros", descreve. Os locais de abusos eram variados. Até na casa da avó da vítima os crimes eram praticados, relata Kamila Brito.

A DDM solicitou encaminhamento da adolescente para o Centro de Referência da Mulher do Município, a fim de que ela receba atendimento especializado. O POVO não divulga o nome dos acusados e a localidade para preservar a identificação da vítima.

Somente em janeiro deste ano, 126 crimes sexuais foram registrados no Ceará, conforme dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Na estatísticas, estão inclusos crimes como atentado violento ao pudor, estupro, estupro de vulnerável e exploração sexual de menor. Em todo o ano de 2018, foram 1.844 crimes sexuais, uma média de 153 casos por mês. (Colaborou Marcela Tosi/Especial para O POVO)

Denuncie

A denúncia foi feita a partir do Disque 100, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. O Ministério ainda utiliza como canal o telefone 180, voltado para denúncias de violência contra a mulher. Em âmbito estadual, a SSPDS disponibiliza o Disque-Denúncia 181. As ligações são gratuitas e o sigilo, garantido.

 

Lucas Barbosa