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Embate entre Maia e Bolsonaro ameaça reforma da Previdência

| Câmara | Bolsonaro afirmou que não deu motivo para que Maia deixasse a articulação da reforma da Previdência. O deputado reagiu

23/03/2019 00:25:12
MAIA DIZ QUE Bolsonaro
MAIA DIZ QUE Bolsonaro "precisa ter um engajamento maior" (Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

Alvo de críticas de aliados do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e comparado pelo pesselista a uma "namorada que quis ir embora", o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) contra-atacou ontem.

"Eu não preciso almoçar, eu não preciso do café e não preciso voltar a namorar", disse o parlamentar em entrevista ao "Jornal Nacional", numa referência aos convites do ministro da Casa Civil, Onyz Lorenzoni (DEM), para um almoço a fim de selar a paz entre o Legislativo e o Executivo.

Maia acrescentou: "Eu preciso que o presidente assuma de forma definitiva o seu papel institucional, que é liderar a votação da reforma da Previdência, chamar partido por partido que quer aprovar a Previdência e mostrar os motivos dessa necessidade". Para ele, Bolsonaro "precisa ter um engajamento maior" e "mais tempo pra cuidar da Previdência e menos tempo cuidando do Twitter".

Longe de se limitar a uma arenga amorosa, o "quebra-pau" entre o deputado e Bolsonaro, que começou no dia em que a Operação Lava Jato prendeu o ex-ministro Moreira Franco e se agravou após ataques do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) no Twitter, coloca em risco a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Previdência.

Do Chile, aonde foi para uma reunião com líderes sul-americanos, Bolsonaro tentou colocar panos quentes no entrevero depois de ser questionado sobre o anúncio de Maia afirmando que deixaria a articulação da reforma previdenciária.

"Estou sempre aberto ao diálogo. Não dei motivo para ele sair (da articulação). Eu estou fora do Brasil, mas quero saber qual o motivo, mais nada", falou o presidente. Em seguida, ante pergunta sobre o que fará para reatar com o deputado, brincou: "Só conversando, não é? Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis embora, o que você fez para ela voltar? Conversou?".

Antes disso, ainda na quinta-feira, Maia já havia se desentendido com o ministro da Justiça Sergio Moro, que tem pressionado o demista para que coloque em pauta o pacote anticrime apresentado em fevereiro - Maia criou um grupo de trabalho a cargo do qual está a análise do conjunto de medidas, que não tem prazo para tramitar.

Irritado, o deputado do DEM chamou o ex-juiz de "funcionário de Bolsonaro" e aconselhou que Moro se reporte ao presidente da República antes de procurá-lo. Um dia depois, nas redes sociais, o filho de Bolsonaro fez coro a Moro, compartilhando postagem na qual o ministro rebatia o presidente da Câmara.

"Talvez alguns entendam que o combate ao crime organizado pode ser adiado indefinidamente", escreveu o ministro, "mas o povo brasileiro não aguenta mais". Carlos Bolsonaro, então, comentou: "Há algo bem errado que não está certo!".

A declaração tinha alvo certo: Rodrigo Maia. Deputado federal pelo Ceará, Domingos Neto (PSD) foi em socorro do presidente da Câmara. "Não é uma estratégia inteligente de parte da militância do presidente da República hostilizar Rodrigo Maia", contra-argumentou.

Em conversa com O POVO, Neto disse que Maia "é o principal fiador da reforma" e que, sem ele à frente da condução política, a aprovação da PEC está ameaçada. O deputado avaliou também que, "estrategicamente, as críticas a Maia foram um tiro no pé".

 

Cidades

Manifestações se deram em pelo menos 52 municípios do Ceará, conforme a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Estado.

 

Henrique Araújo

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