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Volume da barragem do Granjeiro diminui 32% com novo sangradouro

| Ubajara | Reservatório correu risco de rompimento na semana passada e passa por ações emergenciais para diminuir a pressão na parede danificada

AÇÕES na barragem do Granjeiro visam conter riscos relacionados a erosão
AÇÕES na barragem do Granjeiro visam conter riscos relacionados a erosão (Foto: AURELIO ALVES)

A barragem do Granjeiro, em Ubajara (a 326 km de Fortaleza), até a manhã de ontem, diminuiu volume em 32% após implantação de novo sangradouro. O açude correu risco de rompimento após ser percebida erosão em uma das paredes na semana passada e, desde então, realizam-se medidas emergenciais para evitar uma tragédia que poderia afetar mais de 500 famílias ribeirinhas. Sangradouro foi instalado na terça-feira, 19, com objetivo de dar vazão à água e baixar o volume do reservatório. E assim, consequentemente, diminuir a pressão na parede danificada.

As equipes continuam trabalhando no local para regularizar e aprofundar o sangradouro auxiliar e diminuir ainda mais o volume. Conforme o superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Águas (ANA), Alan Vaz, o objetivo é retirar a maior quantidade de água possível. As obras não incluem, contudo, o descomissionamento do açude, que seria o fechamento definitivo.

O reservatório se encontra no momento embargado provisoriamente devido a pendências entre a ANA e a empresa que tem posse da barragem, a Agroserra.

"A ideia é reduzir o máximo possível e ter uma intervenção que possa passar vazões de cheias para que não tenha risco para a população. Se tiver cheia, tem risco de rompimento", explica o superintendente da ANA. Segundo ele, as obras estão ainda em andamento e não há previsão de quando irão acabar, já que é necessário que o processo seja gradual e analisado pouco a pouco para que não haja riscos. "Ainda tá com bastante água, ainda traz risco", pontua.

Alan Vaz indica que o rebaixamento do volume do açude não deve prejudicar as famílias que o utilizam para a agricultura, já que existem outros reservatórios que podem suprir a demanda e não há atualmente um período de estiagem.

Outro impasse com relação às intervenções realizadas de forma emergencial é sobre quem irá arcar com os custos, já que o açude é particular. O dono da empresa Agroserra, Avelino Forte, se posicionou que não pagaria, já que já não usa a barragem desde 2010.

O superintendente da ANA enfatiza que, segundo a lei, é da empresa a responsabilidade de financiar a obra. "A lei prevê que seja arcado pelo empreendedor. O processo deve ser ainda analisado legalmente como vai ser feito". Ele diz que ainda não há como prever o quanto será gasto com o vertedouro. O POVO tentou entrar em contato com Avelino Forte entre as 10 e as 17 horas de ontem. Em todas as tentativas, o celular se encontrava fora de área ou desligado.

Riscos

As sete barragens cearenses classificadas pela ANA como prioritárias para fiscalização até maio deste ano ainda não foram fiscalizadas, nem há calendário definido.

 

HELOISA VASCONCELOS